O índice de preços ao consumidor dos EUA teve uma alta anual de 3,1% em novembro — apenas 0,1 ponto percentual a menos do que a marca de outubro. A inflação se estabilizou neste fim de ano num patamar muito abaixo em relação a 2022, mas ainda permanece bem acima dos níveis pré-pandemia, o que diminui as expectativas por um corte do Federal Reserve (Fed, o BC americano) nos juros.
O ritmo fraco da queda no índice foi “levemente decepcionante, mas as tendências permanecem favoráveis”, segundo Ian Shepherdson, economista-chefe da Pantheon Macroeconomics. O recuo nos preços da gasolina e dos bens duráveis compensou os ganhos em habitação, seguros automotivos e alguns outros serviços.
Segundo o anúncio de ontem do Departamento do Trabalho, a variação dos preços ao consumidor de outubro para novembro foi de 0,1%. O núcleo da inflação — que não inclui os voláteis preços de alimentos e energia — teve um crescimento de 0,3% em relação ao mês anterior, acima do que seria consistente com os 2% da meta de inflação de longo prazo do Fed. Na comparação com novembro de 2022, a expansão do núcleo foi de 4% — mesmo índice observado em outubro.
As autoridades do Fed não afirmaram que chegaram ao fim do ciclo de aumentos nas taxas de juros, mas estão cada vez mais confiantes de que não precisarão promover novas altas para controlar a inflação. Por outro lado, o relatório de ontem provavelmente reforçará as preocupações do Fed quanto a reduzir as taxas muito cedo. A cautela do Fed é justificada pelo fato de que a inflação já pareceu antes estar caminhando de forma constante rumo à meta, mas surpreendeu ao reacelerar.
Investidores estão apostando que o banco central vai começar a cortar os juros por volta de abril de 2024. No começo deste mês, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou que era cedo demais “para especular sobre quando haverá um alívio na política”.
As expectativas dos consumidores para a inflação de longo prazo se reduziram e os americanos têm demonstrado maior otimismo à medida que os aumentos de preços perdem força, de acordo com os dados preliminares de dezembro de uma pesquisa conduzida pela Universidade de Michigan.
As autoridades do Fed “não queriam esmagar a economia, não queriam esmagar o mercado de trabalho, apenas queriam tirar um pouco da pressão”, disse Kathy Bostjancic, economista-chefe do Nationwide Mutual Insurance. “Até aqui, este parece ser o caso.”
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— Foto: Andres Kudacki/AP
Fonte: Valor Econômico


