A inflação nos EUA diminuiu em maio pelo segundo mês seguido, um sinal esperançoso de que o aquecimento dos preços do início do ano pode ter ficado para trás. A tendência, caso se mantenha, poderia levar o banco central americano a ficar mais perto de cortar sua taxa básica de juros, hoje no maior patamar em 23 anos.
Em maio, o núcleo do índice de preços ao consumidor, que exclui os custos dos alimentos e da energia, mais voláteis, e é observado de perto, subiu 0,2% em relação a abril, anunciou o governo nesta quarta-feira (12). O indicador caiu em relação a abril, quando houve alta de 0,3%, e foi o menor desde outubro. Na comparação anual, o núcleo dos preços ao consumidor subiu 3,4%, abaixo dos 3,6% em abril.
Técnicos do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) esquadrinham os dados da inflação de cada mês para avaliar os progressos no combate à inflação. Mesmo com a moderação da inflação como um todo, necessidades como alimentos, aluguel e saúde estão muito mais caras do que há três anos — uma fonte contínua de descontentamento público e uma ameaça política à candidatura de reeleição do presidente do país, Joe Biden. A maioria dos outros indicadores sinaliza que a economia está em boa forma: o desemprego permanece baixo, o volume de contratações é alto e os consumidores estão viajando, saindo para comer e gastando em lazer.
O índice geral de inflação também teve desaceleração em maio. Os preços ao consumidor não tiveram alteração de abril a maio, em parte graças à forte queda da gasolina, das passagens aéreas e dos carros novos. Na comparação anual, os preços ao consumidor subiram 3,3% em maio, abaixo dos 3,6% do mês anterior.
O custo do seguro automóvel, que havia disparado nos últimos meses, caiu entre abril e maio, embora ainda esteja mais de 20% acima do patamar de 12 meses atrás. Os preços dos alimentos não variaram em maio, após a ligeira queda em abril. Agora estão apenas 1% mais caros na comparação anual.
O Fed não altera a taxa básica há quase um ano, depois de tê-la elevado rapidamente em 2022 e 2023 para combater o pior surto inflacionário em 40 anos. Os juros mais altos, por sua vez, encareceram os financiamentos imobiliários, empréstimos automotivos, cartões de crédito e outras formas de crédito ao consumidor e a empresas. Embora a inflação esteja agora muito abaixo do pico de 9,1% registrado em meados de 2022, ela permanece acima da meta anual do Fed.
A persistência de uma inflação ainda elevada tem representado um incômodo desafio para o Fed, que eleva os juros — ou os mantêm altos — para tentar reduzir a concessão de empréstimos e os gastos e, assim, esfriar a economia e diminuir o ritmo de alta dos preços.
Quanto mais o Fed mantiver os custos de captação altos, maior o risco de esfriar a economia além do que deveria e causar uma recessão. Por outro lado, caso reduza os juros cedo demais, corre o risco de reacender a inflação. A maioria das autoridades monetárias acredita que a política de juros deles vem desacelerando o crescimento e que, com o tempo, deve conter a inflação.
No segundo semestre de 2023, a inflação caiu de forma constante e alimentou as esperanças de que o Fed conseguiria um “pouso suave”, controlando a inflação por meio dos juros altos sem causar uma recessão. Conseguir isso é difícil e raro.
No primeiro trimestre de 2024, contudo, a inflação superou as previsões, o que adiou a redução dos juros que se esperava do Fed e colocou em risco o pouso suave da economia.
No início de maio, o presidente do Fed, Jerome Powell, disse que o banco central precisava sentir mais confiança de que a inflação estava voltando à meta antes de começar a reduzir os juros básicos. Nas últimas semanas, vários membros do Fed disseram que precisavam ver vários meses consecutivos de queda na inflação.
Alguns sinais sugerem que a inflação continuará a esfriar nos próximos meses. Os americanos, em particular as famílias de baixa renda, têm reduzido os gastos. Em resposta, várias grandes redes de varejo e de restaurantes, como Walmart, Target, Walgreens, McDonald’s e Burger King, anunciaram cortes de preços ou promoções.
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Fonte: Valor Econômico

