Índice Stone mostra queda de 4,2% no primeiro semestre após recuou de 0,1% em junho
Por Alessandra Saraiva — Do Rio
12/07/2023 05h01 Atualizado há um dia
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As vendas no varejo brasileiro terminaram o primeiro semestre em queda, e devem finalizar 2023 sem crescimento. É o que sinaliza a sexta edição do Índice de Atividade Econômica Stone Varejo. Na leitura do indicador, cujo resultado de junho foi antecipado ao Valor, as vendas do comércio caíram 0,1% ante maio. Na comparação com junho do ano passado, o recuo foi de 4,2% e, no primeiro semestre, a queda foi de 3,4%, ante igual período em 2022.
Inadimplência e endividamento elevados, que reduzem espaço para novas compras no orçamento das famílias, levaram ao quadro negativo do setor até junho, segundo o pesquisador econômico e cientista de dados da Stone Matheus Calvell.
Para ele, como não há sinais de melhora forte e rápida no atual quadro desfavorável, de dívidas e de inadimplência das famílias, as vendas do comércio provavelmente devem terminar com queda anual, segundo o técnico.
Calculado pela Stone em conjunto com o Instituto Propague, o índice tem como base dados públicos da Receita Federal, e dados transacionais de cartão dos clientes do grupo StoneCo.
Estamos com inadimplência muito alta e renda comprometida”
— Matheus Calvell
Na evolução do indicador por setores, todos os segmentos tiveram queda de vendas em junho, ante igual mês do ano passado. “O único setor que se manteve relativamente bem ao longo do ano foi artigos farmacêuticos” acrescentou. Ele frisou que as famílias, de maneira geral, não podem deixar de comprar medicamentos. “Mas móveis, eletrodomésticos, esses produtos mais caros sofreram nas vendas”, acrescentou.
No caso do desempenho do comércio no semestre, o especialista explicou que as vendas do varejo, de janeiro a junho, foram influenciadas por um “cenário macroeconômico muito negativo” no país. “Estamos com taxas de inadimplência muito altas e renda das famílias comprometida com [pagamento de] serviço de dívida”, lembrou ele. No entendimento do pesquisador, esse contexto acabou sendo desfavorável ao varejo, pois inibe novas compras – o que se refletiu na queda semestral do indicador da Stone.
Ele fez uma ressalva. O indicador trouxe uma boa notícia, no resultado mensal comparativo com mês imediatamente anterior. Para ele, o recuo de 0,1% do índice, em junho ante maio, foi muito próximo à zero, e não significa necessariamente sinal negativo. O resultado representaria mais “estabilidade” nas vendas, segundo ele. Calvell não descartou possibilidade de este resultado mensal indicar começo de trajetória menos negativa no nas vendas do comércio, a partir do segundo semestre.
Um aspecto que pode ter contribuído para o indicador não ter caído tanto em junho, na comparação ante mês imediatamente anterior, foi a inflação mais fraca. Com preços a subir menos, se abre mais folga no orçamento das famílias, com possibilidade de novas oportunidades de compras. “A inflação [menor] é um fator importantíssimo”, disse. “Mas essa inflação está sendo ‘contratada’ junto com um endividamento [familiar] ainda muito alto”, lembrou, a notar que são duas dinâmicas diferentes, a impactar o orçamento familiar.
Ao ser questionado se a inflação menos intensa poderia impulsionar retorno de crescimento nas vendas do varejo, Calvell foi cauteloso. Ele não descartou que as vendas do setor possam subir no segundo semestre, ante mesmo período em 2022. Isso porque o comércio apresentou resultados ruins nos últimos seis meses do ano passado.
O desempenho desse ano pode ser beneficiado por base de comparação fraca. Mas, pontuou, não significa que uma boa performance do setor, de julho a dezembro de 2023, possa compensar integralmente o quadro negativo do primeiro semestre; e assim elevar resultado anual do varejo.
“É possível que as coisas se equilibrem no segundo semestre” disse ele, não descartando possibilidade de aumento de vendas, no comércio, nos últimos seis meses do ano. “Mas, crescimento [anual de vendas], está praticamente está descartado”, completou.
Fonte: Valor Econômico
