Por Jackie Cai, Dorothy Ma e Alice Huang, Bloomberg
09/03/2023 15h25 Atualizado há 19 horas
Dois anos depois de incorporadoras da China iniciarem o mergulho em uma crise que devastou o setor e levou a defaults recordes no mercado de dívida “junk” em moeda americana, avaliado em US$ 150 bilhões, credores começam a ter ideia do impacto total.
A Logan Group – uma construtora de residências para compradores da primeira casa própria, que opera principalmente na área da Grande Baía de Guangdong, Macau e Hong Kong – apresentou sua mais recente proposta de reestruturação a alguns detentores de títulos esta semana, disseram pessoas a par do assunto. Isso se soma a uma atividade mais intensa em mês crucial para a crise da dívida imobiliária do país.
A China Evergrande, emblemática dos problemas do setor, comunicou que espera obter apoio dos detentores de títulos para seu plano de reestruturação de dívidas no começo deste mês. Em 20 de março, a incorporadora tem audiência marcada em Hong Kong sobre uma petição de liquidação. Duas unidades da Logan contam com audiências na próxima semana sobre tais petições contra essas empresas.
O Zhenro Properties Group pretende divulgar uma proposta preliminar com soluções para a dívida offshore até o final do mês. E a construtora inadimplente Sunac China Holdings prepara um acordo de suporte à reestruturação, a ser assinado por um grupo de grandes credores de dívidas offshore, depois que estes manifestaram apoio ao plano da empresa, disseram pessoas familiarizadas com o assunto no início desta semana.
Uma investida do governo chinês contra o crescimento da alavancagem no setor imobiliário causou uma crise de caixa que espremeu a liquidez das construtoras e resultou em mais de um ano de queda nas vendas e preços de imóveis novos. Imobiliárias declararam default sobre um volume recorde de títulos em dólar no ano passado. As medidas adotadas desde novembro para apoiar incorporadoras levaram a fortes ralis de ações e títulos dessas empresas, mas a euforia esfriou, e ações do setor entraram em mercado baixista nesta quinta-feira.
A Logan, a 36ª maior construtora da China em vendas contratadas no ano passado, suspendeu os pagamentos de títulos em dólar em agosto. Durante uma reunião em janeiro com alguns credores, a empresa divulgou que pretendia finalizar as mudanças em uma proposta de reestruturação de dívida offshore até meados de fevereiro, informou a Bloomberg News anteriormente. Essa meta foi adiada.
As novas propostas de reestruturação da Logan são preliminares e estão sujeitas a alterações com base no feedback dos credores, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. A empresa não respondeu de imediato a um pedido de comentário enviado por e-mail.
“Muitos emissores têm levado muito a sério o feedback dos credores”, disse Sophia Xia, codiretora de reestruturação para China na consultora financeira Houlihan Lokey, durante uma conferência em janeiro organizada pela S&P Global Ratings. “Enquanto isso, parece bastante óbvio que as ajudas da China têm sido oferecidas principalmente a ‘incorporadoras de qualidade’. Isso fornece incentivos para incorporadoras levarem a sério” o pagamento de suas obrigações, acrescentou.
Um plano de reestruturação de dívida offshore para a Logan foi discutido pela primeira vez em setembro, com o objetivo de estender o vencimento médio de US$ 6 bilhões em títulos de mais de cinco anos. Os títulos offshore da Logan têm vencimentos até 2028, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.
Fonte: Valor Econômico

