Por Alessandra Saraiva — Do Rio
09/09/2022 05h01 Atualizado há 4 horas
Favorecido por queda de preços em commodities e derivados de petróleo no atacado, o Índice Geral de Preços -Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu 0,55% em agosto, ante recuo de 0,38% em julho, menor taxa desde novembro de 2021 (-0,58%), informou a Fundação Getulio Vargas (FGV).
Para André Braz, economista da FGV responsável pelo indicador, o resultado indica que a família dos Índices Gerais de Preços (IGPs) entrou em ciclo de taxas menores, que pode durar até fim do ano.
“Podemos ter IGPs em torno de 8% em 2022 [taxa anual]. Antes minha previsão era entre 9% e 10%”, acrescentou. Em 2021, os IGPs fecharam na faixa de 17%. Até agosto, o IGP-DI acumula alta de 8,67% em 12 meses.
Mas Braz faz alerta: não há garantias de que esse bom comportamento do indicador inflacionário prosseguirá em 2023.
Ao comentar sobre o indicador na passagem de julho para agosto, o técnico explicou que ocorreram quedas de preço em produtos de peso na formação da inflação atacadista. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), que representa 60% do IGP-DI, passou de -0,32% para -0,63%. No atacado, caíram de preço óleo diesel (5,62%); minério de ferro (3,80%); gasolina automotiva (8,83%); bovinos (3,35%) e soja (1,30%).
Sobre quedas em commodities, Braz lembrou que as cotações desse tipo de produto têm oscilado, devido ao que ocorre no exterior. Grandes economias, como chinesa europeia, têm dado sinais de desaceleração de ritmo – sendo que não está descartado que ocorra o mesmo na atividade nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, deixaram combustíveis menos caros, no mercado brasileiro, decisões de queda de preço pela Petrobras, bem como limite de teto em cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de combustíveis e energia elétrica.
Para o especialista, como esses fatores não devem mudar de mês para outro, devem continuar a influenciar os próximos resultados dos IGPs – e, assim a reduzir taxas mensais.
Outro aspecto mencionado por ele é o fato de que recuos de preço, no atacado, têm reduzido custo de produção. O economista não descartou continuidade de repasse, de recuos de preço no atacado para o varejo, até fim do ano. De julho para agosto, o Índice de Preços ao Consumidor – Disponibilidade Interna (IPC-DI) passou de -1,19% para -0,57%. “Podemos terminar com IPC na faixa de 6% em 2022”, acrescentou. O IPC-DI acumula alta de 6,62% em 12 meses até agosto.
No entanto, ele ponderou que, se o cenário é de taxas inflacionárias baixas até fim de 2022, o mesmo não se sabe para 2023. Há dúvidas sobre quadro fiscal para próximo ano, lembrou o especialista da FGV, que também comentou sobre possibilidade de continuidade de juros elevados, para conter inflação – o que sempre diminui ritmo de atividade. E isso também vale para cenário externo.
Outro ponto levantado por ele é a recente crise de energia na Europa. Com término de fornecimento de gás russo, a Europa vive hoje crise em preços de produtos energéticos – e não se sabe como isso vai afetar preços nesse campo no Brasil, no longo prazo.
Assim, no entendimento do técnico, ainda há muitas incertezas para 2023, para se mensurar qual será quadro inflacionário para ano que vem.
Fonte: Valor Econômico


