O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou alta de 1,14% em março, depois de cair 0,84% um mês antes, informou nesta quarta-feira o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

A variação ficou acima da mediana das estimativas de consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, de 1,04%, e dentro do intervalo das projeções (0,55% a 1,27%)
Com esse resultado, o índice acumula variação negativa de 1,30% em 12 meses, ante baixa de 1,42% das estimativas colhidas pelo Valor Data e dentro do intervalo das projeções (de -1,88% a -1,10%).
Em março de 2025, o IGP-DI havia registrado recuo de 0,50% e acumulava alta de 8,57% em 12 meses. No ano, o indicador tem elevação acumulada de 0,50%.

“O IGP-DI de março marca o primeiro mês em que os índices passam a incorporar, de forma mais clara, os efeitos diretos e indiretos do conflito no Oriente Médio. No IPA, embora as maiores pressões ainda venham de produtos agropecuários, itens sensíveis ao cenário geopolítico, como combustíveis e fertilizantes, já figuram entre as dez principais influências do índice. No varejo, o principal impacto ocorreu por meio da gasolina, que registrou alta média de 3,85%. Além dos combustíveis, os custos da construção também começam a refletir esse ambiente”, avaliou Matheus Dias, economista do FGV Ibre.
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) subiu 1,38% em março, após registrar queda de 1,21% em fevereiro. Entre os estágios de processamento, o grupo de Bens Finais passou de 0,42%, no mês em fevereiro, para 1,04% em março. O índice de Bens Finais (ex), que exclui os subgrupos de alimentos in natura e combustíveis para consumo, acelerou 0,21% em março acima da taxa de 0,20% em fevereiro. Já o grupo de Bens Intermediários teve valorização de 0,69% em março, invertendo o movimento em relação a fevereiro, quando caíra 0,20%. O índice de Bens Intermediários (ex), que exclui o subgrupo de combustíveis e lubrificantes para a produção, acelerou 0,65% em março, após alta de 0,12% em fevereiro. Por fim, o estágio das Matérias-Primas Brutas registrou taxa de 2,11% em março, ante -3,03% em fevereiro.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) aumentou 0,67% no mês passado, ante queda de 0,14% em fevereiro. Entre as oito classes de despesa que compõem o índice, sete apresentaram aumento nas suas taxas de variação: Transportes (0,04% para 1,51%), Alimentação (0,07% para 1,31%), Educação, Leitura e Recreação (-2,81% para -0,97%), Despesas Diversas (0,37% para 1,70%), Vestuário (-0,24% para 0,48%), Comunicação (0,05% para 0,10%) e Habitação (0,34% para 0,36%). Em contrapartida, o grupo Saúde e Cuidados Pessoais (0,12% para 0,05%). exibiu recuo na sua taxa de variação.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 0,54% em março, ante 0,28% em fevereiro. Analisando os três grupos constituintes do INCC, Materiais e Equipamentos subiu de 0,26% para 0,55%; Serviços recuou de 0,27% para 0,18%; e Mão de Obra acelerou de 0,30% para 0,57%.
O núcleo do IPC teve evolução de 0,37% em março, acima da taxa registrada em fevereiro, de 0,27%. Dos 85 itens que compõem o índice, 33 foram desconsiderados no cálculo do núcleo: 18 apresentaram variações inferiores a 0,06%, limite inferior da banda de corte, e 15 registraram taxas acima de 0,70%, limite superior.
O Índice de Difusão, que mede a proporção de itens com taxa de variação positiva, ficou em 65,48%, 8,38 pontos percentuais acima do resultado de fevereiro, quando foi de 57,10%.

Fonte: Valor Econômico
