Por Rennan Setti
A Hypera, dona de marcas como Doril e Neosaldina, ganhou aliados em sua guerra contra a tentativa da rival EMS de influenciar sua operação. Duas distribuidoras de medicamentos, a Medicamental e a Dismepe, estão pedindo para ser admitidas como “terceiras interessadas” no processo que avalia a compra de ações da Hypera pela EMS no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
As companhias sustentam que há incertezas “relevantes” sobre os impactos concorrenciais da operação e que é possível que o negócio reduza o poder de barganha de pequenos distribuidores e facilite a troca de informações comerciais sensíveis.
O Cade está analisando a compra de 6% do capital da Hypera pela EMS, do empresário Carlos Sanchez, conhecido como “rei dos genéricos”. A EMS afirmou ao órgão que não planeja exercer qualquer influência sobre a Hypera, apenas fazer um investimento financeiro — mesmo tendo tentado, sem sucesso, fundi-la com a EMS há menos de seis meses.
A Hypera rebateu o argumento e conseguiu que o Cade impedisse a EMS de exercer poderes políticos na rival. Com isso, Sanchez não poderá votar na assembleia que elegerá um novo conselho de administração para a Hypera nos próximos dias, frustrando seus planos imediatos de influenciar o comando da concorrente.
O pedido das distribuidoras de medicamentos reforça a tese da Hypera de que a investida da EMS é nociva ao mercado. Prevista na Lei de Defesa da Concorrência e no regulamento interno do Cade, a figura do “terceiro interessado” foi criada para que empresas e entidades cujos interesses possam ser afetados por determinada transação se manifestem, apontando riscos e ajudando o órgão a avaliar melhor o caso.
O Cade deu duas semanas para que Medicamental e Dismepe apresentem documentos que comprovem seus temores em relação ao negócio.
Fonte: O Globo