/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2024/h/F/4q0xVcSZyYjAvGRH1kXA/foto17int-101-ataques-a15.jpg)
Os tripulantes de um navio grego de transporte de carvão foram forçados a abandoná-lo depois que rebeldes houthis lançaram um ataque usando um drone marítimo controlado remotamente, segundo informaram ontem (16) militares dos EUA.
Analistas disseram que esta parece ser a primeira vez que o grupo apoiado pelo Irã lança com sucesso tal dispositivo, escapando dos esforços liderados pelos EUA para deter mísseis e drones aéreos que vêm sendo usados para atacar embarcações no Mar Vermelho.
A tripulação de um navio de propriedade ucraniana também foi forçada a abandonar a embarcação no sábado, depois que ela foi atingida por mísseis houthis. O Comando Central dos EUA, que é responsável pelas operações militares americanas no Oriente Médio, disse ter destruído vários dispositivos explosivos transportados pelo mar e um drone aéreo lançado pelos houthis, bem como radares terrestres usados para atingir navios.
Desde que o Hamas atacou Israel em 7 de outubro, os rebeldes houthis apoiados por Teerã têm lançado mísseis, drones e outras armas contra embarcações comerciais e navios de guerra quase que diariamente. Uma coalização naval liderada pelos EUA vem conseguindo destruir a maioria dos projéteis que visam o tráfego marítimo. Eles também estão atacando locais de lançamento no Iêmen.
A possível perda de dois navios em uma questão de dias “representa um aumento significativo na eficácia” dos houthis, segundo disse a empresa britânica de segurança Ambrey em uma nota a clientes. A Ambrey afirmou que esse foi o primeiro ataque em que o grupo iemenita usou com sucesso um drone marítimo em vez de mísseis e drones aéreos. O impacto causou a inundação da casa das máquinas.
O Verbena, de propriedade ucraniana, que estava carregado com madeira da Malásia, foi abandonado na tarde de sábado, depois que sua tripulação não conseguiu controlar os incêndios iniciados pelos ataques de misseis houthis dois dias antes, segundo informou a Centcom. Enquanto isso, o Tutor, o navio carregado de carvão, está lentamente se enchendo de água, depois de um ataque separado do grupo apoiado pelo Irã, também segundo a Centcom.
Um membro da tripulação ficou gravemente ferido no Verbena. Um membro filipino da tripulação do Tutor continua desaparecido. “Essa situação não pode continuar”, disse na sexta-feira Arsenio Dominguez, secretário-geral da Organização Marítima Internacional. A Evalend Shipping e a Donbasstransitservice, proprietárias do Tutor e do Verbena, respectivamente, não comentaram.
Até agora, apenas um navio britânico que transportava 20.000 toneladas de fertilizantes afundou desde o começo do conflito. Mais incidentes ocorreram no fim de semana. A United Kingdom Maritime Trade Operations disse ontem que recebeu um relatório sobre duas explosões perto de um navio em trânsito próximo do Iêmen, mas disse que a embarcação prosseguiu viagem em segurança.
Os ataques dos EUA e seus aliados ao arsenal houthi desde janeiro e as múltiplas interdições de carregamentos do Irã inicialmente prejudicaram parte da capacidade militar dos houthis. No fim de janeiro, os EUA apreenderam uma grande carga de armamentos iranianos destinados aos houthis, incluindo componentes para o tipo de dispositivo marítimo usado no ataque na semana passada.
Apesar desses contratempos, os houthis vêm conseguindo encontrar novos meios de trazer do Irã os equipamentos de que necessitam, segundo informaram autoridades ocidentais e houthis.
Em vez de transportar armas diretamente do Irã, os rebeldes encontraram uma nova rota pelo Djibouti, nação da África oriental, em que as armas que chegam dos portos iranianos são transferidas para navios civis. Os houthis também estão usando o Líbano para comprar peças sobressalentes de drones da China, segundo as fontes.
Fonte: Valor Econômico

