Os oito estabelecimentos de saúde juntos têm receita de cerca de R$ 16 bilhões e realizam 1 milhão de procedimentos médicos por ano
Os hospitais filantrópicos privados Sírio-Libanês, BP-Beneficência Portuguesa, Alemão Oswaldo Cruz, Hcor, Infantil Sabará, São Camilo e AC Camargo (de São Paulo), Moinhos de Vento (do Rio Grande do Sul) e Santa Casa da Bahia estão se unindo num projeto para compra conjunta de materiais, medicamentos e serviços gerais. Os oito hospitais juntos têm uma receita da ordem de R$ 16 bilhões e realizam quase 1 milhão de atendimentos médicos por ano.
A inciativa ocorre num cenário de concorrência com grupos hospitalares de capital aberto e estabelecimentos ligados a operadoras de planos de saúde.
O projeto de compra conjunta é uma das primeiras iniciativas da Associação de Hospitais Filantrópicos Privados (Ahfip), criada no ano passado. “Nos juntamos numa entidade específica porque nossos hospitais têm propósitos parecidos. São sem fins lucrativos, destinam o lucro para a própria operação e pesquisa e não para acionistas”, disse José Marcelo de Oliveira, presidente do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e do conselho da Ahfip.
Questionado se uma compra conjunta não é conflitante por expor dados comerciais entre concorrentes, Oliveira diz não enxergar esse problema. “Ao contrário, as equipes vão aprendendo entre elas. E, apesar de terem perfil semelhante, cada hospital atua num determinado público”, afirmou. A entidade ainda não tem quanto será economizado.
A entidade também pretende reunir indicadores médicos como taxas de infecção, queda, reinternação, entre outros. Hoje, no Brasil, poucos hospitais divulgam ao público esses indicadores de forma individualizada. Há dados por grupos de estabelecimentos. Nos Estados Unidos, por exemplo, os pacientes conseguem checar esses indicadores e escolher o hospital por sua qualidade médica.
Segundo Oliveira, quando esse levantamento estiver pronto, os dados ajudarão nas negociações com as operadoras. Em geral, o preço praticado pelos hospitais filantrópicos privados é superior, por estar atrelado à qualidade do serviço médico ofertado.
Além de atenderem usuários de planos de saúde, os hospitais filantrópicos privados atuam na rede pública. Cerca de 60% dos atendimentos do SUS de São Paulo são realizados por esses hospitais.
Sírio-Libanês, BP-Beneficência Portuguesa, Alemão Oswaldo Cruz, Hcor, Albert Einstein, Moinhos de Vento e AC Camargo compõem um grupo de hospitais que revertem seus impostos em projetos do Ministério da Saúde. A renúncia somada desses hospitais é de cerca de R$ 3 bilhões no acumulado de 2024 a 2026.
Fonte: Valor Econômico