Processo se dá especialmente na Intermédica, que tem parte de seus planos de saúde com rede aberta de prestadores de serviços
Por Beth Koike, Valor — São Paulo
Fundador da Hapvida, Candido Pinheiro disse nessa quarta-feira (14), em evento para investidores, que a operadora está trabalhando fortemente para aumentar a verticalização. Em especial, na Intermédica, que tem parte de seus planos de saúde com rede aberta de prestadores de serviços.
Durante o anúncio, o executivo fez homenagem a Paulo Barbanti, fundador da NotreDame Intermédica, e Carlos Takahashi, o kaka, da Black Rock, além de trocadilhos com o nome da companhia que criou em 1970.
Na Hapvida, cerca de 97% das internações são realizadas em rede própria. Já na Intermédica, esse percentual não chega a 70%.
Mas essa fatia vem aumentando de forma crescente. Em 2019, era de 22,9%, pulou para 48,9%, no ano seguinte, e para 54%, em 2021. Há ainda trabalhos para padronização de medicamentos e serviços, além de investimentos em equipamentos de inovação.
“GNDI [NotreDame Intermédica] se desviou, mas temos obrigação de voltar ao que era”, disse Cândido. Ele fez referência a Barbanti, que trabalhava com modelo verticalizado antes de vender a operadora ao fundo Bain, controlador da Intermédica até a fusão com a Hapvida, no começo deste ano.
Durante evento, em São Paulo, o fundador da Hapvida enfatizou o modelo verticalizado e nomes conhecidos no mercado, que fazem parte da história da companhia. “Minha homenagem a Paulo Barbanti, somos como irmãos gêmeos, e para o kaka, [Carlos Takahashi], da Black Rock, que foi a primeira pessoa de fundo que colocamos dentro de casa para nos ensinar o que vocês esperam da gente. Muito feliz nesse Hapvida Day, um happy day”, disse Cândido.
O fundador da Hapvida defendeu o modelo verticalizado, desafiando os modelos de rede aberta. “Nós não temos dúvida que esse é o único modelo que tem sustentabilidade, não tem como segurar a inflação médica sem controle, para se perpetuar”.
Ele destacou que a companhia tem sistemas de auditoria, banco de dados, modelos médicos que acompanham tempo de internação, número de procedimentos médicos realizados e protocolos médicos.
Segundo Jorge Pinheiro, presidente da Hapvida, uma das praças prioritárias é a Grande Belo Horizonte, que é a segunda praça mais importante para o grupo. O executivo citou que a taxa de sinistralidade na região em dois ativos da Intermédica chegou a ser de 130% e caiu para 70% com ampliação da verticalização.
Em relação aos reajustes, Pinheiro reforçou que não houve mudanças em sua política de priorizar o aumento de preços de planos de saúde neste ano. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou nessa semana reajuste de 9,63% para os planos individuais nos contratos com vencimento entre maio deste ano e abril de 2024.
Segundo ele, os impactos começam a fazer efeito a partir de julho, uma vez que serão cobrados os reajustes de maio de forma retroativa e depende da data de vencimentos dos aniversários durante o ano.
Questionado sobre os desafios de administrar companhia que, há apenas cinco anos, era uma empresa regional e se tornou nacional, Pinheiro respondeu que esse crescimento é baseado em governança. “Difícil de responder. Realmente, saímos de 1 milhão para 10 milhões, só em saúde, em apenas cinco anos. Tem a dor do crescimento, a governança vem ganhando corpo, maturidade”, comentou.
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Fonte: Valor Econômico