Por Fabíola Góis — Para o Valor, de Washington
14/10/2022 05h01 Atualizado há 4 horas
O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a manifestar otimismo com os rumos da economia brasileira. Guedes falou aos ministros das Finanças participantes do G20, durante jantar na noite de quarta-feira, 12.
Em seu discurso, ao qual o Valor teve acesso, Paulo Guedes citou as estimativas de crescimento para o Brasil, a redução da taxa de desemprego e a valorização do real em relação ao dólar.
Guedes disse também que o país está fora de sincronia com os outros pois está em uma trajetória de ascensão após décadas. Também participou do encontro o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Desde terça-feira, o ministro tem tentado vender positivamente a imagem do país aos participantes das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e dos Conselhos de Governadores do Grupo Banco Mundial em Washington.
As declarações do ministro fazem um recorte temporal que distorce as comparações, principalmente em relação a outros países. O crescimento do Brasil em ritmo mais acelerado é recente, decorre em parte de medidas temporárias que o governo adotou às vésperas da eleição presidencial.
No dia 5 de outubro, por exemplo, o Valor publicou que durante a pandemia o Brasil cresceu 0,7% ao ano contra a média mundial de 1,7%. Para 2022, o Boletim Focus do Banco Central prevê crescimento de 2,7% para o PIB do Brasil, contra 3% na média global. Economistas projetam que no ano que vem o país vai se descolar do crescimento global e ter uma evolução bem menor do Produto Interno Bruto.
No encontro com os ministros, Guedes acrescentou ao discurso otimista um novo componente à sua fala: a paz. Afirmou que “a paz seria a ação mais efetiva em prol da segurança alimentar e energética” e que os demais países podem contar com o Brasil.
Também participou do encontro o ministro das Finanças da Ucrânia, Serhiy Marchenko. A Ucrânia não faz parte do G20, mas tem sido convidada com frequência a integrar reuniões do grupo.
O ministro brasileiro afirmou que os números da economia para os próximos meses serão “ainda melhores”.
“Estamos retomando o crescimento sustentável, estamos fora de sincronia com a economia global porque ficamos desconectados durante as três décadas de globalização. Então, [sobre] a inflação, nós atuamos preventivamente nas frentes monetária e fiscal. Assim, a inflação passou de 12% para 5,5%”, disse.
Em praticamente todos os encontros com ministro de Finanças, investidores, empresários e economistas de outros países, Guedes afirma que as estimativas de crescimento para o Brasil têm sido revistas para cima o tempo todo.
“A última estimativa do FMI saiu de 1,7% para 2,8%, mas acreditamos que será de 3% neste ano, e podemos manter assim por um longo período pela frente. Só para dar alguns dados fiscais: o gasto público caiu de 26% do PIB para 18,7%. A taxa de desemprego passou de 14,9% para 8,9%. Criamos mais de 17 milhões de novos empregos nos últimos dois anos”, disse.
Sobre o real, Guedes explicou que a moeda se valorizou 8% em relação ao dólar neste ano.
“O déficit fiscal passou de 10% para um pequeno superávit em todos os níveis: federal, municipal e estadual. E a relação dívida/PIB está em torno de 77%, exatamente onde estava quando a covid nos atingiu, o que significa que pagamos pela guerra”, disse o ministro aos participantes do jantar.
O ministro da Economia e o presidente do Banco Central também participaram de nova reunião dos ministros das Finanças do G20 nesta quinta-feira, 13.
Fonte: Valor Econômico


