Os principais fundos dos Estados Unidos estão reduzindo posições com exposição à China, ao mesmo tempo em que se concentram mais nos gigantes tecnológicos americanos, mostra uma análise do “Nikkei Asia”.
A preocupação com a desaceleração econômica da China aumentou desde agosto, quando os riscos de crédito no China Evergrande Group e em outros importantes incorporadores imobiliários se aprofundaram. O índice Nasdaq Golden Dragon China, que acompanha títulos de empresas chinesas listadas nos Estados Unidos, caiu 15% no fim de setembro em relação ao pico recente marcado no fim de julho.
A Appaloosa, liderada por David Tepper, reduziu em 48% a sua participação em ADRs no buscador on-line Baidu, desde o fim de junho até ao fim de setembro.
Também reduziu as participações no varejista eletrônico Alibaba e as participações de ADR na JD.com em 20% e 11%, respectivamente.
A Tiger Global Management se desfez de cerca de metade de seus ADRs na JD.com, bem como de participações em ADS no provedor de serviços de recrutamento on-line Kanzhun.
O Soros Fund Management descarregou cerca de 70% de suas opções de compra na empresa de comércio eletrônico PDD Holdings.
Os números, atualizados no fim de setembro, vêm dos últimos relatórios de divulgação de ações do Formulário 13F. Os investidores com pelo menos US$ 100 milhões em ativos nos Estados Unidos devem apresentar este formulário à Comissão de Valores Mobiliários do país a cada trimestre.
“Os investidores parecem estar vendendo títulos relacionados com a tecnologia, especialmente o comércio eletrônico, devido a preocupações com a desaceleração no consumo interno na China, o que atinge a economia em geral”, disse Wang Shenshen, estrategita sênior de ações da China na Mizuho Securities.
Em vez disso, os fundos de hedge estão apostando nas principais empresas de tecnologia americanas. A Third Point comprou ações adicionais da Meta, controladora do Facebook, elevando sua participação para 1,1 milhão de ações no fim de setembro. Aumentou sua posição na Microsoft em 46% e na Amazon.com em 14%.
A Pershing Square Holdings expandiu significativamente sua participação em ações da Alphabet.
Mas nem todas as ações de tecnologia parecem ter o mesmo apelo. A Appaloosa vendeu todas as 480 mil ações que detinha na Apple, ao mesmo tempo em que expandia suas participações em outras empresas, como a Amazon. Soros adquiriu uma quantidade maior de opções de venda do que ações reais da Apple, indicando que espera que o preço das ações caia.
“À medida que a rivalidade entre Estados Unidos e China se intensifica, os investidores ficam cautelosos em relação às ações com alta exposição à China”, disse o estrategista Jumpei Tanaka, da Pictet Asset Management (Japão).
Os investimentos relacionados a semicondutores aumentaram. A Tiger Global expandiu sua participação na Nvidia em 77% e adquiriu 300 mil ações da Arm Holdings, que abriu o capital em setembro.
A Bridgewater Associates, fundada por Ray Dalio, o maior fundo de hedge do mundo, também comprou ações adicionais da Nvidia.
O preço da Nvidia quase triplicou desde o início do ano, em meio a uma alta nas ações relacionadas a chips. Soros vendeu todas as 10 mil ações que detinha na Nvidia no fim de junho, aparentemente para obter lucros.
Enquanto isso, a Berkshire Hathaway, liderada por Warren Buffett, investiu na holding do time profissional de beisebol Atlanta Braves enquanto vendia ações de empresas como General Motors, Activision Blizzard e Chevron.
Alguns players estão fazendo apostas contrárias.
A Scion Asset Management adquiriu novas opções de venda para um fundo negociado em bolsa focado em semicondutores. O fundo de hedge é liderado por Michael Burry, conhecido por prever o colapso do mercado imobiliário dos Estados Unidos antes da crise financeira global de 2008.
A Scion desfez sua participação em um ETF administrado pela Franklin Templeton que acompanha o índice FTSE Japan RIC Capped. Também adquiriu ações da Alibaba e JD.com.
As taxas de juro de longo prazo nos Estados Unidos subiram temporariamente para além dos 5% em outubro, mas desde então estagnaram devido à especulação de um abrandamento econômico e de uma pausa nos aumentos das taxas de juros. Os investidores estão abocanhando ações de tecnologia, pois parecem mais acessíveis.
“A especulação de que uma pausa nos aumentos das taxas irá impulsionar a economia dos Estados Unidos poderia estimular o interesse em bancos regionais e ações de pequena capitalização, que enfrentaram vendas até agora”, disse Shoji Hirakawa, estrategista-chefe global do Tokai Tokyo Research Institute.
Fonte: Valor Econômico


