Por Jéssica Sant’Ana, Valor — Brasília
11/08/2023 11h50 Atualizado há 2 dias
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, voltou a defender, durante participação no Fórum de Gestão Empresarial da Faciap, em Curitiba, que é importante que agentes econômicos tenham percepção que o fiscal estará equilibrado.
“Com fiscal equilibrado, conseguimos fazer trabalho de convergência de inflação com taxa de juros mais baixa e sustentável de forma mais equilibrada e duradoura”, afirmou.
“Queda de juros mais estrutural vem acompanhada de movimento onde pessoas têm mais credibilidade em relação à política fiscal”, completou, ao responder perguntas da plateia presente ao evento.
Campos Neto disse, ainda, que muitas coisas explicam o fato de a taxa de juros neutra estar subindo, sendo que uma delas é custo da dívida pública. “O grande desafio agora é gerar credibilidade, para a gente estabilizar processo de dívida.”
Contudo, ele ponderou que os juros futuros já vêm caindo e que o impacto na dívida pública é enorme. “Esse efeito um pouco já aconteceu”, avaliou.
Ele disse também que políticas sociais são importantes, mas que é importante fazer assistencialismo de forma mais sustentável. “Ao final das contas, se a dívida ficar desequilibrada, a gente vai ter um crescimento mais baixo e com menos empregos”, afirmou.
Durante perguntas e respostas, Campos Neto afirmou ser estrutural o problema do gasto público elevado em termos reais, mas reforçou que é importante que a questão seja atacada no futuro.
“É preciso trabalhar essa parte de gastos, é óbvio que isso não é [agenda de] curto prazo, mas eu entendo que tem várias reformas e formas de atingir o equilíbrio dos gastos”, disse. “O que a gente tem que fazer agora, no curto prazo, é mais baseado na receita, porque é urgente, mas olhando o longo prazo, temos que pensar em como equilibrar mais os gastos”, completou.
China
Durante a palestra, Campos Neto afirmou ainda que se o crescimento esperado para a China vier mais baixo do que o esperado, haverá impacto nos países emergentes.
“O crescimento esperado [pelos agentes] para a China já é um pouco mais baixo. Se esse crescimento da China surpreender para nível mais baixo [ainda], tende a ter implicação no mundo emergente”, avaliou.
“Existe dúvida do que vai acontecer no próximo ano, [no próximo um] ano e meio na China, o tem implicação para o Brasil [devido à] parte do consumo chinês”, afirmou. Ele disse que o Banco Central brasileiro tem olhado “bastante” para essa questão.
Fonte: Valor Econômico


