Por Eduardo Magossi, Valor — São Paulo
06/03/2023 17h45 Atualizado há 15 horas
O Goldman Sachs já vislumbra um cenário em que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, terá que elevar os juros para 6%, segundo relatório elaborado pelo economista Jan Hatzius e sua equipe. Segundo ele, três segmentos correm o risco de reacelerarem o crescimento: consumo pessoal, industrial e imobiliário, diante dos fortes dados registrados em janeiro.
No entanto, os economistas do Goldman Sachs notam que dados de preliminares de fevereiro sugerem que a recuperação vista na produção industrial e no setor imobiliário em janeiro já podem ter se revertido. Eles notam que os volumes da indústria estão caindo e a estimativa é de que as exportações de contêineres não se recuperaram além do que é normal para o período, apesar da abertura chinesa e de perspectivas de não haver recessão na Europa. No setor imobiliário, os pedidos de compra de novas casas caíram para os níveis mínimos registrados em meados do segundo semestre, diz o banco, “provavelmente refletindo a alta das taxas hipotecárias de 30 anos para níveis acima de 7%”.
“Por outro lado, vemos um risco significativo de que o consumo cresça a um ritmo acima do ritmo potencial em 2023, apesar de uma provável recuperação da poupança”, diz o banco em relatório enviado a clientes hoje. Segundo os economistas, o consumo deve crescer 3,75% em base real devido ao contínuo aumento no número de empregados, crescimento real dos salários e com um impulso do reajuste das aposentadorias e pagamentos da previdência social pela inflação anual. “Mesmo ignorando os maiores rendimentos dos juros, a renda disponível real está a caminho de aumentar entre 2,5% e 3% este ano”, afirmam.
O Goldman alerta que esses números de aumento de renda disponível representa um risco que o crescimento do consumo pessoal venha acima dos 1,8% previstos e “dados oficiais e de alta frequência sugerem que isso já está se materializando”. Segundo o banco, as vendas no varejo medido pelo Census cresceram 1,2% em janeiro e dados sobre gastos com cartão de crédito da Fiserv e de gastos com serviços da Affinity revelam que eles estão bem acima do registrados no quarto trimestre.
“Se o crescimento do consumo de fato aumentar para cerca de 2,5% este ano e o crescimento do PIB se aproximar de 2% como consequência, o Fed teria que compensar isso elevando os juros em 0,50 ponto percentual adicional que não estava previsto – e não precificado pelo mercado – levando a taxa final para um intervalo entre 5,75% e 6%”, afirma o economista. Atualmente os juros estão no intervalo entre 4,5% e 4,75% e o mercado projeta uma taxa final entre 5,25% e 5,50% a ser atingida em junho.
Segundo ele, isso exerceria uma pressão redutora de 0,50 ponto no crescimento do PIB.
O Goldman também destaca que, em um céu de brigadeiro para a economia, onde consumo, indústria e setor imobiliário voltarem a se aquecer, o que não é o cenário-base do banco – a força subjacente elevaria o PIB em 2,5% em 2023, o que iria requerer juros ainda mais elevados para reduzir o crescimento da demanda e um reequilíbrio do mercado de trabalho.
Fonte: Valor Econômico
