Por Eduardo Magossi, Valor — São Paulo
08/03/2023 16h17 Atualizado há 17 horas
O banco americano Goldman Sachs elevou sua projeção de taxa de fim de ciclo de aperto monetário do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) em 0,25 ponto percentual para o intervalo entre 5,50% e 5,75%, depois dos comentários mais “hawkish” (duros) feitos por Jerome Powell, presidente do Fed, em audiência ao Senado americano nesta terça-feira (7).
No Senado, Powell disse que a taxa terminal de juros “deve ser maior que o previamente esperado” diante dos dados recentes que mostram crescimento econômico e da inflação e que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) vai estar “preparado para elevar o ritmo das altas” se novos dados indicarem que uma velocidade maior é necessária.
Segundo o economista Jan Hatzius, que assina o relatório enviado a clientes com a equipe do Goldman, a expectativa do banco é que os dados a serem divulgados antes da reunião do Fomc de 22 de março venham mistos mas firmes, o que aponta para uma alta de 0,25 ponto percentual como mais provável, com algum risco de alta de 0,50 ponto.
“Independente do Fomc elevar os juros em 0,25 ponto ou 0,50 ponto, nós esperamos que a taxa mediana do juro final a ser divulgada na reunião de março tenha um aumento de 0,50 ponto para um pico entre 5,50% e 5,75% em 2023. Então, elevamos nossa previsão de taxa final em 0,25 ponto para o mesmo intervalo”, informa o banco.
Os economistas do Goldman Sachs também esperam que o relatório de empregos, o “payroll”, de fevereiro, a ser divulgado na sexta-feira (10), venha acima do consenso com a criação de 250 mil empregos. A expectativa do banco é que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de fevereiro mostre um crescimento firme de 0,45%. “Essa combinação de dados pode criar algum risco de alta de 0,50 ponto em março em vez de 0,25 ponto”, afirma. Para agora, o banco estima altas de 0,25 ponto nas reuniões de março, maio, junho e julho.
Nos últimos meses, segundo o banco, o obstáculo ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado criado pelo aperto da política fiscal e monetária está diminuindo, não crescendo, e isso sugere que o principal risco para a economia é uma reaceleração prematura, não uma recessão iminente.
“No fim de semana passada, observamos que os gastos do consumidor em particular representam um risco ascendente para o crescimento econômico que, se concretizado, pode levar o Fomc a subir mais do que o atualmente esperado para apertar as condições financeiras e manter o crescimento da demanda abaixo do potencial e desta forma, reequilibrar o mercado”, afirma.
Fonte: Valor Econômico