Um fundo de crédito privado do Goldman Sachs Group Inc. afirmou que os investidores buscaram resgatar pouco menos de 5% de seus recursos no primeiro trimestre, escapando por pouco de um êxodo mais amplo que obrigou outras empresas do setor a limitar os saques.
A Goldman Sachs Private Credit Corp., com US$ 15,7 bilhões em ativos sob gestão e que administra uma empresa de desenvolvimento de negócios não negociada em bolsa, atendeu a pedidos de resgate no primeiro trimestre equivalentes a 4,999% de suas ações em circulação, segundo um documento divulgado na segunda-feira. Esse resultado contrasta com o de empresas do mesmo setor, como a Blue Owl Capital Inc., que registraram pedidos de resgate consideravelmente superiores ao limite de 5% estabelecido pela indústria.
Os pedidos de resgate ainda estavam acima da taxa de 3,5% observada no quarto trimestre. Um representante do Goldman Sachs se recusou a comentar.
Os fundos de crédito privado voltados para investidores individuais têm apresentado uma forte queda na demanda desde o início do ano, com muitos buscando se desfazer de suas posições. Muitos gestores optaram por limitar esses pedidos, deixando mais de US$ 8 bilhões retidos nesses veículos até o momento.
“Somos o único BDC não negociado em bolsa no grupo de pares cujos pedidos de recompra ficaram abaixo do limite trimestral padrão de 5%”, afirmou o fundo em carta aos acionistas. Com subscrições em torno de US$ 1,04 bilhão, os fluxos líquidos foram positivos durante o trimestre, o que, segundo o Goldman Sachs, contrasta com os fluxos negativos de muitos de seus concorrentes.
O fundo destacou sua dependência de capital institucional em vez de investidores individuais, que têm se retirado em maior número em meio a preocupações com os padrões de empréstimo e a exposição a empresas vulneráveis à disrupção causada pela inteligência artificial.
“Para sermos claros, estamos no mesmo mercado que as outras BDCs não negociadas em bolsa e certamente não estamos imunes à dinâmica do setor”, escreveram os gestores de fundos da Goldman Sachs.
“No entanto”, afirmaram, “continuamos confiantes de que o ponto mais importante é estrutural: diversificamos estrategicamente nossas fontes de capital, mantendo uma plataforma de crédito privado voltada para instituições, o que significa que podemos ser pacientes, podemos controlar o ritmo de nossa implementação a nosso critério e, quando aliado ao nosso ecossistema de originação, nos proporciona uma vantagem competitiva ao longo de todo o ciclo de crédito.”
O fundo Goldman Sachs gerou um retorno de 0,4% este ano até o final de fevereiro, ficando abaixo dos 1,3% registrados no mesmo período do ano passado, segundo documentos apresentados. O desempenho caiu de forma generalizada no setor, com um fundo da Ares Management Corp. registrando uma perda de 0,68% em fevereiro, sua maior queda mensal desde a sua criação em 2022.
O Goldman Sachs também afirmou já ter observado benefícios com a menor entrada de capital nessa classe de ativos, incluindo spreads mais amplos e melhor documentação, “à medida que os credores que dependem dos fluxos tradicionais de varejo começam a reduzir suas operações”.
Já um fundo de crédito privado da Barings LLC, com US$ 4,9 bilhões em ativos, limitou os resgates após investidores solicitarem a retirada de 11,3% das ações no primeiro trimestre.
A Barings Private Credit Corp. está pagando menos da metade dos pedidos, limitando os saques a 5%, informou o fundo em um comunicado na segunda-feira. Isso significa que o fundo reteve cerca de US$ 180 milhões que os investidores queriam de volta.
“Buscamos equilibrar as necessidades de liquidez de curto prazo com a gestão prudente do capital, tanto para os investidores que estão saindo quanto para os que permanecem”, afirmou o fundo em carta aos acionistas.
A medida surge em um momento em que investidores de crédito privado se apressam em retirar dinheiro do mercado de US$ 1,8 trilhão, em meio a crescentes preocupações com a qualidade dos empréstimos e a exposição a empresas ameaçadas pela disrupção da inteligência artificial. O Barings está entre uma lista crescente de fundos que optaram por restringir os resgates, enquanto outros tomaram medidas incomuns para atender às demandas de liquidez dos investidores.
Um dos maiores detentores do veículo da Barings é a Cliffwater LLC, cujo fundo de crédito privado de US$ 33 bilhões é o maior do seu tipo. Os investidores solicitaram o resgate de 14% do principal fundo da Cliffwater no primeiro trimestre, com um limite máximo de 7%.
A Barings afirmou que sua decisão de limitar os resgates a 5% lhe permitirá aproveitar as oportunidades criadas pela turbulência no mercado.
A Barings afirmou que, apesar dos resgates, a qualidade de crédito de sua carteira permanece “sólida”. Os chamados empréstimos não rentáveis, que se referem a empréstimos que não geram mais receita de juros, representavam 0,4% da carteira no final de dezembro, abaixo da média histórica do setor de 0,9%, informou o fundo.
O fundo também afirmou ter registrado retornos anualizados de 10,6% desde que começou a investir em 2021.
Um representante do Barings recusou-se a comentar além do conteúdo da carta.
Fonte: Capital Aberto