Na busca pelo controle da empresa, gestora de Renato Azevedo e Lucas Kallas já atingiu uma participação de 14%
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Na busca pelo controle da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas, a gestora Latache – de Renato Azevedo e Lucas Kallas, dono da Cedro Participações – investiu, no último mês, cerca de R$ 500 milhões comprando ações da empresa no mercado e sua fatia já chega a 14%. Na companhia especializada em tratamento para câncer, o investidor que atinge 15% do capital é obrigado a fazer uma oferta pública para aquisição de 100% das ações (OPA).
No entanto, antes dessa etapa, a gestora tem intenção de adquirir conjuntamente, de forma privada, as fatias do Goldman Sachs (que detém 20,76% via um fundo proprietário e 16,05% de um cliente americano) e do banco Master, cuja participação é de 19,90%, segundo o Valor apurou.
Questionado sobre essa operação especificamente, Renato Azevedo disse que, “no preço correto, nas condições corretas, dentro daquilo que se encaixa na nossa tese de investimento, a gente está aberto a analisar.”
O presidente da Latache começou a estudar a tese de OncoclínicasCotação de Oncoclínicas há cerca de um ano e, em sua visão, a empresa estava com nível de desconto muito alto e tem potencial de crescimento. “Esse é um investimento de longo prazo, não temos pressa, temos veículo aqui [na gestora] sem prazo de saída. Esse investimento está no nosso braço de ‘special sits’, é diferente de outros ativos estressados em que também investimos.”
A Cedro, que detém 30% da gestora, está construindo três hospitais especializados em oncologia, em São Paulo, Goiânia e Belo Horizonte, que estão demandando investimentos de R$ 1,8 bilhão. Essa parceria é feita por meio de contratos de ‘built to suit’, em que a empresa investe nas obras e recebe aluguéis por longo prazo. “A OncoclínicasCotação de Oncoclínicas tem forte potencial para crescer internacionalmente, em especial, no Oriente Médio”, disse Kallas.
Segundo fontes, a Latache começou a comprar ações da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas logo após uma primeira tentativa fracassada, em dezembro, de adquirir a fatia do Goldman Sachs, que não aceitou a proposta da gestora. O interesse pelo pedaço de 20,76% do banco americano ocorre porque esse fundo está em vias de vencer.
Com a negativa do Goldman, a gestora deu início ao seu segundo plano. Intensificou a compra de ações na bolsa no pregão de 18 de fevereiro, quando o volume financeiro chegou a R$ 158 milhões, cinco vezes acima do dia anterior, iniciando-se ali um rali. Na época, a Latache veio a público pela primeira vez comunicar oficialmente que havia atingido uma fatia de quase 7% na empresa. Poucos dias depois, voltou a mercado para informar que já detinha 10,19%.
Desde então, a ação praticamente triplicou de valor – saindo de menos de R$ 2 para R$ 5,45 com um volume transacionado, nos últimos 30 dias, da ordem de R$ 1 bilhão. Deste valor, estima-se que cerca de 50% tenha sido da Latache, ainda segundo fontes.
Esse é um investimento de longo prazo, não temos pressa”
A outra fatia veio de transações de investidores que estavam vendidos no papel (“short”), ou seja, apostavam que a ação iria se desvalorizar. Para montar essa posição, os investidores alugam ações na expectativa de que, no fim do período do aluguel, eles possam recomprar mais barato e embolsar a diferença. Se quem está na ponta contrária tiver poder de fogo, acontece o chamado “short squeeze”. Esse fenômeno consiste numa corrida dos vendidos para cobrir suas posições e limitar as perdas, o que alimenta ainda mais a alta.
Ainda segundo fontes, o principal investidor que estava “short” era o empresário Nelson Tanure, que também tem interesse na OncoclínicasCotação de Oncoclínicas. Tanure tinha uma posição vendida a cerca de R$ 2, bem próximo do valor de tela na época. Ciente dessa posição, a Latache passou a comprar papéis da empresa de saúde em grande volume jogando para cima a cotação, prejudicando quem estava apostando na queda da ação. Fontes ligadas ao empresário afirmam que ele “não está comprado e nem vendido nas ações”. Procurado, ele nega esse movimento.
O interesse de Latache, Kallas, Tanure e Master – todos investidores em ativos problemáticos – sobre OncoclínicasCotação de Oncoclínicas tem suas razões. A companhia é a maior rede para tratamento de câncer do país. No entanto, está sendo negociada a patamares muito inferiores a seus pares de saúde, enfrenta alta alavancagem com baixas perspectivas de recuperação no curto prazo e dificuldades de recebimento de Unimeds, uma de suas principais fontes pagadoras.
“O recente aumento de capital [de R$ 1,5 bilhão do banco Master] foi um alívio para o balanço, mas a empresa continua sendo uma das mais alavancadas do setor, cerca de três vezes o Ebitda previsto para 2025, enquanto as perspectivas de fluxo de caixa permanecem fracas, dada sua alta exposição a pagadores com balanços patrimoniais problemáticos somados a projetos de expansão em andamento que estão sendo adiados. Nesse contexto, não vemos muita desalavancagem nos próximos 5 anos, com a provável ausência de geração de fluxo de caixa. Portanto, exigindo refinanciamento constante”, destaca trecho de relatório do J.P. Morgan, assinado por Joseph Giordano, e publicado no mesmo dia em que a Latache começou a comprar ações da companhia.
O banco reduziu a recomendação de neutro para venda e retirou o preço-alvo da ação, que até então, era de R$ 6,50 sem estabelecer nenhum valor. Trocando em miúdos: o banco recomendou a venda do papel pelo preço que for possível diante dos fundamentos negativos em torno da companhia.
Bruno Ferrari, CEO da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas, discorda do relatório do banco americano e diz que a forte alta nos papéis da companhia é o reconhecimento dos investidores do valor da empresa. “Essa alta é o reconhecimento dos fundamentos da companhia. O estranho não é o papel subir e, sim, as quedas, o preço de tela não representa a companhia. Além da Latache, há outros investidores comprando”, disse, sem revelar quem seriam esses outros interessados.
Essa alta é o reconhecimento dos fundamentos da companhia”
Em maio do ano passado, a OncoclínicasCotação de Oncoclínicas fez um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão – R$ 1 bilhão veio do Master e outros R$ 500 milhões do fundador que captou esses recursos do próprio banco. As novas ações foram emitidas a R$ 13, um prêmio quase 75% sobre o valor de tela na época. O vendedor foi o Goldman Sachs, que reduziu sua participação de 46% para 36% (essa fatia está dividida em duas partes, entre seu fundo e do cliente dos EUA).
A companhia informou que o aporte foi destinado à redução do endividamento, de 3,9 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para 2,7 vezes. As demonstrações financeiras do segundo e terceiro trimestres mostram que a OncoclínicasCotação de Oncoclínicas destinou os recursos do aumento de capital para títulos de renda fixa, cuja aplicação entrou como caixa e, consequentemente, baixou sua alavancagem.
Uma das notas explicativas do balanço do segundo trimestre diz que o “o valor de R$ 1.515.653 se trata de aplicações efetuadas em maio de 2024 pela companhia e estão vinculadas a subscrição de ações mencionada na nota nº 22 [que trata do aumento de capital]”. Outra nota explicativa informa que “as aplicações em títulos e valores mobiliários possuem uma remuneração de aproximadamente 119,17% do CDI para 30 de setembro de 2024 (104% do CDI para 31 de dezembro de 2023)”. O Master é conhecido por ofertar taxas com retorno muito acima do mercado.
Ainda segundo fontes, essa aplicação no Master hoje teria se reduzido pela metade. Os outros 50% estão em bancos com rendimentos de mercado.
Há ainda outras transações consideradas atípicas pelo mercado. A companhia fez, no primeiro semestre de 2024, um adiantamento de R$ 250 mil à Cedro para início das obras de dois hospitais. Em contratos de BTS, o comum é a construtora investir na obra e o inquilino pagar a locação quando o projeto está concluído. Esse apontamento consta no balanço do terceiro trimestre. Segundo Kallas, esse valor se refere ao adiantamento de aluguel de um ano que serviu como contrapartida da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas, que não ofereceu um seguro fiança porque o custo desse instrumento financeiro seria muito oneroso. “Esse valor é um adiantamento de aluguéis. É um voto de confiança de nossa parte que estamos investindo quase R$ 2 bilhões nos projetos de ‘cancer center’ sem seguro fiança”, disse Kallas. Ele disse ainda que a unidade de Goiânia está próxima de ser inaugurada.
Procurados, Master, GS e OncoclínicasCotação de Oncoclínicas não comentam o assunto.