O diretor de política monetária do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou que a autarquia assumiu uma posição mais conservadora, interrompeu o ciclo de cortes na taxa básica de juros e “ficou dependente de dados”. Para Galípolo, a função da autoridade monetária é ser mais cautelosa.
Nessa posição mais conservadora, afirmou, o Banco Central vai consumir os dados a cada reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e tomar a decisão sobre as taxas de juros a partir disso. “Nesse ciclo tem uma série de dados relevantes de mercado de trabalho, atividade econômica, inclusive de inflação até a próxima reunião, que nós pretendemos consumir para tomar a decisão”, disse, ao participar de evento promovido pelo Tribunal de Contas do Estado do Piauí.
Segundo Galípolo, todas as alternativas estão na mesa para a tomada de decisão do colegiado.
A ata da última reunião do Copom citou duas possibilidades para a política monetária. A primeira seria manter o patamar atual, de 10,50% ao ano “por tempo suficientemente longo” para levar a inflação à meta. Na segunda, o Copom ressaltou que “não hesitará” em subir os juros se julgar apropriado para cumprir a inflação.
As declarações de Galípolo vêm sendo acompanhadas de perto pelo mercado, já que o diretor é o mais cotado para assumir a presidência do BC. Na semana passada, as falas dele foram consideradas mais pró-aperto de juros que as do atual presidente da autarquia, Roberto Campos Neto — uma impressão que, depois, eles próprios tentaram desfazer.
No evento no TCE, Galípolo destacou a preocupação com a desancoragem de expectativas de inflação e com o dinamismo da atividade econômica. Ele citou a taxa de desemprego baixa e as projeções do PIB, que “vêm sendo revisitadas sistematicamente para cima”. O relatório Focus mostra uma mediana de projeções para alta do PIB de 2,43% neste ano e de 1,86% em 2025. A projeção do BC para o crescimento de 2024 é de 2,3%, de acordo com o Relatório de Inflação publicado no fim de junho.
Galípolo ressaltou que a “bola” que o BC precisa olhar é a possibilidade de que o crescimento da demanda esteja ocorrendo de maneira desordenada “e com falta de sincronia com a oferta a ponto que o crescimento da demanda vá produzir um processo inflacionário que vá justamente corroer essa renda que foi ganha nos últimos tempos”.
Sobre o cenário americano, Galípolo pontuou que os preços de mercado hoje mostram uma ideia de “pouso suave” ou “soft landing” da economia. Essa desaceleração mais suave, segundo ele, permitiria ao Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) iniciar um ciclo de corte de juros.
A diretoria de política monetária tem entre suas atribuições a execução da política cambial. Galípolo ressaltou que o BC usa referências para analisar se existe algum tipo de disfuncionalidade no mercado de câmbio e que não envolve apenas a questão de liquidez. “Você também vai comparar descasamento com pares, descasamento com fundamentos e tentar decifrar quais são as causas para aquilo poder estar acontecendo.”
Galípolo destacou que é um tema bastante discutido de maneira colegiada e citou que “a melhor coisa que pode acontecer com autonomia do BC é que essas decisões estratégicas sejam as mais colegiadas possíveis”.
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Fonte: Valor Econômico
