Grupo calcula ganho de até R$ 220 milhões por ano no Ebitda
Por Beth Koike, Valor — São Paulo
17/04/2023 21h53 Atualizado há 13 horas
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Jeane Tsutsui, presidente do Fleury: receita de R$ 7,1 bi e maior poder de negociação Carol Carquejeiro/Valor.
A fusão entre Fleury e Hermes Pardini — segundo e terceiro maiores laboratórios de medicina diagnóstica cuja transação foi aprovada na quarta-feira (12) pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) — vai gerar um incremento anual de R$ 200 milhões a R$ 220 milhões na linha do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), que atualmente soma R$ 1,6 bilhão. Esses valores representam um acréscimo de 25% em relação à projeção inicial.
“Cerca de 90% dos ganhos de sinergias virão de custos e despesas que são processos que estão nas nossas mãos, dependem de nós. A estimativa é que 95% das sinergias estejam absorvidas em três anos”, disse Jeane Tsutsui, presidente do Fleury.
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FleuryArte — Foto: arte/valor
Com 277 milhões de exames processados e 520 unidades distribuídas no país, a nova companhia chega ao mercado com poder de negociação num momento em que toda a cadeia de saúde enfrenta uma crise e sofre pressão por margem.
“Passamos a ter uma maior oferta de produtos para atender o setor. Há operadoras criando planos de saúde específicos que podemos atender”, disse Roberto Santoro, ex-presidente do Hermes Pardini. Na companhia combinada, Santoro assume a presidência da unidade que processa exames para outros laboratórios de mercado, um segmento conhecido como “lab to lab” do qual o Pardini é líder.
Com a fusão, a receita bruta anual do Fleury tem um aumento de 48%, para R$ 7,1 bilhões. Deste montante, cerca de R$ 6,5 bilhões são provenientes da área de medicina diagnóstica e a outra fatia de novos negócios, como clínicas médicas. Com esses números, o Fleury se aproxima muito da Dasa, maior empresa de medicina diagnóstica do país, que fatura R$ 7,1 bilhões com exames. A empresa da família Bueno tem ainda o braço de hospitais, um negócio recente e que já proporciona uma receita de cerca de R$ 7 bilhões por ano.
Pela estrutura do acordo, 90% da fusão foi fechada com troca de ações (para cada papel de Pardini, o acionista recebe 1,2 de Fleury) e outra fatia de 10% será paga em dinheiro, cujo total é de R$ 278 milhões. As ações do Hermes Pardini deixam de ser negociadas na B3 no próximo dia 28.
Outra vantagem para o Fleury com essa transação é que a companhia aumenta muito de tamanho, mas com baixo desembolso de caixa. Os dois laboratórios têm baixa alavancagem e com a fusão o endividamento do Fleury cai de 1,2 vez para 1,1 vez o Ebitda — o que coloca a companhia em vantagem num momento em que boa parte do setor trabalha para reduzir dívidas diante da atual taxa de juros.
“O momento para expansão via aquisições é delicado devido à taxa de juros, mas não deixamos de olhar os ativos”, disse José Felippo, diretor executivo financeiro e de relações com investidores do Fleury. Entre os alvos que continuam no radar da empresa estão clínicas médicas e de infusão que podem ser integradas aos negócio de medicina diagnóstica. É possível, por exemplo, realizar infusões de medicamentos nos laboratórios no período da tarde, quando há baixa demanda por testes. Já os exames demandados nas clínicas de ortopedia, oftalmologia e fertilização do Fleury são encaminhados para as unidades de medicina diagnóstica do grupo.
A empresa também trabalha para replicar essas integrações nas unidades do Hermes Pardini. “Passamos a ter uma oferta maior e mais rica de produtos e serviços com o Fleury”, disse Santoro.
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Fonte: Valor Econômico