Os fundos hedge não tinham um desempenho tão bom desde o período posterior à crise financeira global. O setor, que soma US$ 5 trilhões, registrou seus melhores retornos desde 2009, com ganhos de cerca de 12,6% no ano passado, segundo a Hedge Fund Research.
O desempenho excepcional foi possível pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial (IA), choques geopolíticos e incerteza quanto ao rumo dos juros – fatores que criaram oportunidades para estratégias que ganham em meio à volatilidade.
Fundos geridos por gigantes da indústria como D.E. Shaw, Millennium Management, Citadel, Point72 Asset Management e Qube Research & Technologies registraram retornos de dois dígitos. A Bridgewater Associates, empresa de investimentos com meio século de existência, obteve seu melhor ganho de todos os tempos, de 34%, em seu principal fundo, o Pure Alpha II.
Fundos menores, focados em uma estratégia específica, podem superar o desempenho em qualquer ano, dada a capacidade de entrar e sair rapidamente de apostas, gerando lucros mesmo quando o setor como um todo enfrenta dificuldades. Entretanto, mesmo as maiores empresas com bilhões de dólares investidos em uma infinidade de estratégias – tática concebida para trazer ganhos constantes por meio da diversificação -, conseguiram, em sua maioria, alcançar retornos de dois dígitos novamente em 2025. “2025 foi o ano em que todo mundo ganhou”, disse Alexis Maubourguet, diretor de investimentos do ADAPT Investment. “Havia algo para todos, o que é bastante raro.”
Esse forte desempenho ocorre em um momento em que o interesse em algumas apostas em private equity e dívida de empresas não listadas mostra sinais de arrefecimento, com saída de investidores e gestoras ainda lutando para se desfazer das aquisições feitas durante o boom do setor. Esse contraste ajuda a posicionar o setor para atrair a atenção dos clientes, revertendo um longo período de resgates.
Os fundos hedge registraram entradas líquidas de US$ 71 bilhões durante os três primeiros trimestres do ano passado, mostram dados da HFR. Isso representa uma grande reversão após uma década, até 2024, na qual US$ 167 bilhões deixaram o setor. O período foi marcado por choques geopolíticos causados pelo dia da “libertação tarifária” do presidente Trump e pelo agravamento do conflito no Oriente Médio, além de uma série de falsas esperanças na Ucrânia.
Fonte: Valor Econômico


