Algumas das maiores gestoras de investimentos do mundo estão comprando títulos do Tesouro americano e ações de inteligência artificial enquanto vendem dólares, apostando que a incerteza gerada pela guerra no Irã passou do pico após o cessar-fogo entre Washington e Teerã.
Kellie Wood, da Schroders, passou boa parte da manhã desta quarta-feira (8) comprando títulos de curto prazo, incluindo Treasuries. A Jupiter Asset Management avalia movimento semelhante, combinado com venda de dólares. Andrew Canobi, da Franklin Templeton, projeta uma alta nos Treasuries de dez anos. A Allspring Global Investments está entrando em ações de tecnologia e defesa com menor exposição a choques de energia.
“Passei a manhã inteira comprando títulos”, disse Wood, gestora da Schroders, que administra mais de US$ 1 trilhão em ativos. Ela adicionou posições nos mercados que mais sofreram durante a crise, incluindo União Europeia e Reino Unido, além dos Treasuries de curto prazo.
Os Treasuries reagiram ao noticiário: o rendimento do título de dois anos recuou até oito pontos-base, enquanto o juro de dez anos caiu cinco pontos-base, para 4,23%. As principais moedas do mundo avançaram frente ao dólar, que havia funcionado como ativo de refúgio durante o conflito. O ouro também subiu.
A queda do petróleo após o anúncio da trégua reacendeu as apostas de que o Federal Reserve poderá retomar o ciclo de corte de juros. A recuperação gradual da oferta de petróleo bruto impulsionou as bolsas, levando um índice de ações da Ásia-Pacífico ao maior nível desde o início de março.
A Franklin Templeton também enxerga valor em alguns Treasuries e avalia que os mercados devem recuperar boa parte da queda de março, que foi impulsionada por temores inflacionários. “Os juros do título de dez anos dos EUA podem testar o patamar abaixo de 4%”, disse Canobi, diretor de renda fixa da gestora.
Gary Tan, gestor da Allspring, que ajuda a administrar cerca de US$ 630 bilhões em ativos, disse estar usando a volatilidade das ações para “melhorar a qualidade do portfólio e aumentar sua resiliência a preços de energia estruturalmente mais altos”. Isso significa ampliar seletivamente posições em temas centrais como inteligência artificial, defesa e empresas com melhoria de governança corporativa.
Mark Nash, gestor da Jupiter Asset Management, afirmou estar discutindo com sua equipe a compra de mais Treasuries de curto prazo e a venda de dólares. “Há boas notícias com o cessar-fogo entre Irã e EUA, mas o risco é que ainda não estamos completamente fora de perigo, pois não há garantia de que um acordo será fechado.”
Ainda assim, parte dos investidores permanece cautelosa diante de uma trégua de apenas duas semanas, com poucos detalhes sobre os termos, sem clareza se representa um passo rumo à resolução ou apenas uma pausa no conflito.
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Caso um acordo de paz se concretize, pode reverter um movimento em que fundos de hedge cortaram posições compradas e cobriram posições vendidas simultaneamente, processo conhecido como de-grossing sistemático, segundo a mesa de vendas do JPMorgan. O banco apontou em nota que o posicionamento dos hedge funds segue leve após reduções significativas.
A China, que emergiu como refúgio relativo durante a volatilidade recente, permanece como aposta prudente para alguns gestores. Hikaru Tanaka, da Asset Management One, que administra US$ 510 bilhões, disse manter títulos chineiros em carteira. O fundo reduziu “bastante” as posições gerais de mercado, mas tem operado de forma ativa.
Estamos tentando não perseguir o mercado em excesso, apenas gerenciando a travessia do momento”, disse.
Fonte: InfoMoney
