Os fundos de investimentos continuam fazendo muito barulho na bolsa, mas os saques ainda são maiores que os aportes. Pelo volume financeiro total negociado por esses investidores em 2025, esses agentes pareceram mais ativos do que nunca, movimentando quase R$ 1 trilhão (R$ 997,4 bilhões) apenas em ações, um salto de 25% na base anual.
Considerado todo o mercado à vista (que inclui ETFs, BDRs e fundos imobiliários) o montante movimentado pelos fundos superou R$ 1,7 trilhão, de acordo com um levantamento da Datawise+, solução da B3 e Neoway.
Apesar da atividade frenética, o fluxo institucional foi de saída dos ativos locais. Pressionados por juros ainda atrativos na renda fixa e pela contínua debandada dos cotistas, os tubarões locais continuaram vendendo mais do que comprando os vender ativos massivamente.
Volume recorde, saldo no vermelho
O último ano encerrou com os institucionais acumulando um saldo negativo (vendas maiores que compras) de R$ 46,6 bilhões. Em 2025, a debandada em fundos de ações foi de R$ 54 bilhões, a maior saída da história da categoria, como o Valor Investe mostrou aqui.
Nos multimercados, a história não foi muito diferente: cotistas resgataram R$ 59 bilhões mais do que aportaram nesses veículos. Segundo os dados, a sangria pode até estar perdendo ritmo, mas ainda não parou.
Assim, os fundos ainda não tiveram espaço para promover uma virada de fluxo na renda variável. Em janeiro deste ano, os institucionais já venderam outros R$ 17,5 bilhões líquidos.
Enquanto o investidor estrangeiro aproveitou o dólar para comprar bolsa brasileira, deixando um saldo positivo de R$ 26,3 bilhões no mês passado, o gestor local atuou como o provedor de liquidez na ponta de venda, desfazendo posições em grandes empresas para honrar a saída de cotistas.
No que os fundos brasileiros mexeram
Diferente da pessoa física, que apostou na recuperação de varejistas, ou do estrangeiro, que focou puramente em liquidez, o investidor institucional buscou proteção e ações de empresas que prestam serviços públicos essenciais (utilities).
O ranking das 10 ações mais negociadas pelos fundos mostra uma preferência clara por empresas com fluxo de caixa previsível ou teses de consolidação.
Ranking de ações mais negociadas por investidores institucionais em 2025
| Posição | Ticker | Preço 2025 (R$) | Variação em 2025 (%) | Volume (R$ Bilhões) |
| 1 | VALE3 | 71,96 | 48 | 86 |
| 2 | PETR4 | 30,82 | -6 | 67,9 |
| 3 | ITUB4 | 39,2 | 63 | 45 |
| 4 | BBAS3 | 21,92 | -6 | 37,8 |
| 5 | BBDC4 | 18,16 | 74 | 31,7 |
| 6 | B3SA3 | 66,16 | 24 | 22 |
| 7 | PRIO3 | 41,42 | 3 | 21,8 |
| 8 | RENT3 | 43,57 | 47 | 20,8 |
| 9 | AXIA3 | 50,61 | 105 | 20,7 |
| 10 | EQTL3 | 38,50 | 49 | 20 |
Fonte: DataWise+
A Vale (VALE3) é a campeã de volume movimentado por esses investidores em 2025 (R$ 86 bilhões). Com a ação subindo 48% no ano passado, os fundos provavelmente usaram a alta para realizar lucros e fazer caixa.
Já a Petrobras (PETR4), na segunda posição entre os maiores giros desses investidores no ano passado (R$ 67,9 bilhões), encerrou o período com desempenho negativo no ano (-6%). O alto volume aqui sugere uma rotação tática ou stop de posições.
A grande diferença em relação ao varejo. Enquanto pessoas físicas compravam Magalu (MGLU3), os fundos concentraram a tese de ações sensíveis aos juros nas ações de Localiza (RENT3) e Equatorial (EQTL3), buscando a resiliência do setor de aluguel de carros e a previsibilidade do setor elétrico para surfar a descompressão na economia doméstica.
Esse fluxo de recursos por investidor em janeiro desenha o cenário atual da B3 com clareza brutal: estrangeiros seguem montando posição no mercado acionário local, enquanto os institucionais continuam vendendo para garantir o caixa.
Para o investidor pessoa física que investe diretamente na bolsa, a persistência dos resgates na indústria de fundos é um sinal de alerta. Enquanto os fundos continuarem sendo vendedores líquidos forçados (para pagar cotistas), é difícil que a bolsa engate um movimento de alta estrutural sustentado apenas pelo capital estrangeiro, que é historicamente volátil.
Fonte: Valor Investe

