Por Rejane Aguiar — De São Paulo
30/05/2023 05h02 Atualizado há 5 horas
A resiliência da economia dos Estados Unidos é a principal âncora para alguns dos fundos de investimento em ações no exterior que se destacam na classificação do “Guia Valor de Fundos de Investimento”. Com estratégias e características variadas, esses fundos, em geral, tentam captar para o investidor um retorno parecido com o do S&P 500. Esse índice representa as 500 maiores companhias listadas no mercado americano e é um excelente termômetro das condições da economia real do país.
As táticas vão muito além da compra de ações diretamente nas bolsas internacionais ou de BDRs (recibos de ações de companhias estrangeiras negociados na bolsa brasileira). Os fundos se utilizam da possibilidade de comprar derivativos como contratos futuros para garantir a exposição ao risco de bolsa externa sem necessariamente comprar ativos no mercado à vista.
Para que possam ser ofertados a investidores de varejo, por regra da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) os fundos de ações no exterior não podem ter mais que 20% da carteira em outros países, regra que está sendo revisada.
A Itaú Asset tem dois fundos entre os dez mais rentáveis da categoria, que considera os retornos em três anos até 30 de março passado: o Itaú Estratégia S&P500® FIC Ações e o Itaú Private S&P 500 BRL FIC FIM. Os dois são fundos passivos, que acompanham o desempenho do S&P500. “O objetivo desses fundos é prover ao investidor acesso à renda variável internacional replicando da maneira mais fiel possível a variação do índice”, afirma Mateus Hachul, especialista de portfólio da Itaú Asset.
Os produtos da Itaú Asset são voltados para investidores em geral, mas diferem em termos de estrutura tributária. O Itaú Estratégia S&P500® FIC Ações é tributado conforme a regra para renda variável (alíquota fixa de 15% no resgate das cotas). Já o Itaú Private S&P 500 BRL FIC FIM é um fundo multimercado cuja cobrança do imposto segue uma tabela que depende do tempo de permanência do cotista no investimento. Em ambos os casos, os fundos têm hedge cambial, o que garante retornos sem interferência da variação do real.
Outro fundo do top 10 é o S&P Reais FIC FIM, do Safra Asset. O objetivo do fundo, segundo afirma o head de distribuição da gestora, Bruno Bonini, é entregar ao investidor o retorno do S&P mais a variação do CDI. “Essa estratégia permite exposição lá fora ao mesmo tempo em que acompanha a renda fixa no Brasil”, destaca o executivo.
O fundo compra contratos futuros de S&P para ter essa exposição à bolsa americana. Mas, como se trata de um derivativo, não há grande desembolso de caixa. Os recursos, segundo Bonini, podem ser usados para as operações que visam acompanhar o CDI no Brasil. “Cabe à gestão do fundo usar sua expertise para fazer a melhor administração da rolagem dos vencimentos dos derivativos”, afirma.
O S&P Reais FIC FIM também tem hedge cambial, sendo por isso indicado para o investidor que queira apenas captar as variações do índice americano da bolsa de referência. Além disso, pode ser porta de entrada para o investidor testar os investimentos fora do Brasil sem ter que abrir mão de uma parte do investimento no mercado local. O fundo está disponível para investidores em geral.
Os derivativos de S&P 500 também estão na carteira de um dos fundos mais rentáveis do guia na categoria: trata-se do Bolsa FIC FIM, da Bradesco Asset, que oferece ao investidor a possibilidade de se expor ao risco da bolsa americana mantendo um pé no mercado brasileiro de renda fixa. De acordo com Cristiano Piccolo Correa, especialista de portfólio da Bradesco Asset, o fundo tem hedge cambial, o que assegura ao cotista retorno apenas da variação do S&P, independentemente do vaivém das taxas de câmbio. Em operação desde 2014, o Bolsa FIC FIM está disponível para o público em geral, tendo aplicação mínima de R$ 1.
Fonte: Valor Econômico

