Por Nina Trentmann — Dow Jones Newswires
28/07/2022 05h03 Atualizado há 2 horas
Com a alta das taxas de juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), os fundos de curto prazo estão mais rápidos em se ajustar do que as contas bancárias. Isso oferece às empresas um estímulo para transferir o dinheiro em caixa para esses fundos, em busca de retornos mais altos.
As empresas acumularam níveis recordes de caixa durante a pandemia e deixaram grandes volumes em contas bancárias, que normalmente geraram pouco ou nenhum retorno. As baixas taxas de juros permitiam concluir que não havia motivo para trocar para fundos de curto prazo, uma forma de fundo mútuo que investe em dívidas mobiliárias de curto prazo, entre as quais letras do Tesouro (com vencimento em até um ano) e “commercial papers” (papéis emitidos por empresas não financeiras com vencimento em 270 dias ou menos).
Mas esse procedimento está mudando, num momento em que o Fed aumenta agressivamente as taxas de juros para combater a inflação elevada. Ontem o BC americano elevou os juros novamente, em 0,75 ponto percentual, indo a uma faixa entre 2,25% a 2,50% anuais.
Em meio ao ciclo de aumento dos juros, os rendimentos dos fundos de curto prazo dobraram em junho, para uma média de 1,23%, e subiram ainda mais, para uma média semanal de 1,36%, segundo a Crane Data. Os bancos, no entanto, têm sido lentos em elevar os rendimentos que oferecem, por ainda deter grandes volumes de dinheiro e não estar procurando atrair mais.
“É cada vez mais difícil para as empresas permanecerem em contas bancárias quando há quase substitutos atraentes disponíveis”, disse Mark Cabana, diretor da divisão de estratégia para taxas de juros do Bank of America.
Os ativos dos fundos de empréstimos de curto prazo aumentaram nas últimas semanas após terem caído no começo do ano, quando as empresas retiraram dinheiro para pagar a Receita Federal americana e quitar outros débitos. Até segunda-feira, havia US$ 5,018 trilhões em fundos de curto prazo, acréscimo de US$ 30 bilhões em comparação com o fim de junho e de US$ 58,3 bilhões em relação a 31 de maio, disse a Crane Data.
Entre as empresas que procuram se beneficiar de maiores rendimentos no mercado de empréstimos de curto prazo está a de tecnologia Hewlett Packard Enterprise (HPE). “Com a elevação das taxas, aumenta as oportunidades”, disse Kirt Karros, seu vice-presidente-sênior financeiro e tesoureiro. “Cada dólar faz diferença. Vamos sistematicamente mudar o dinheiro [de aplicação] toda vez que pudermos extrair retornos adicionais.”
A HPE tende a restringir a duração de seus investimentos em fundos de empréstimos de curto prazo a 90 dias ou menos, disse Karros. “Esses produtos tendem a ser muito competitivos”, afirmou, acrescentando que a empresa movimenta seu dinheiro diariamente, quando necessário. “Pomos esse dinheiro para trabalhar.”
Os fundos de curto prazo normalmente não repassam as variações dos juros de imediato, o que pode dar uma vantagem às empresas, no caso de o Fed passar a reduzir as taxas no ano que vem, como preveem analistas. Se as taxas de juros caírem, haverá uma diferença de tempo até os rendimentos diminuírem, disse Vanessa Hubbard McMichael, diretora do grupo de estratégia CPE, do Wells Fargo Securities.
Fonte: Valor Econômico

