Num mês de forte chacoalhada nos mercados globais, o fundo Verde, de Luis Stuhlberger, conseguiu se defender bem. Encerrou março com valorização de 0,05% das suas cotas e no ano acumula alta de 4,57%, ante 3,41% do CDI no período. O fundo aumentou sua exposição à bolsa local no início de março.
Segundo a carta enviada há pouco aos investidores, o multimercado teve ganhos em bolsa local, em operações de “hedge” (proteção) com opções de petróleo e na recém-implementada posição em prata. As perdas vieram de bolsa global, ouro, moedas e crédito local.
No caldeirão da guerra no Irã, a equipe de gestão cita que a estrutura de incentivos dos americanos aponta para um conflito de curta duração, mas reconhece que o desafio de reabrir o Estreito de Ormuz e normalizar o fluxo de quase 20% do petróleo global ainda parece sem solução.
“O impacto completo do choque nos mercados de petróleo e derivados ainda não foi adequadamente refletido nos preços que até aqui foram parcialmente amortecidos pela liberação de estoques estratégicos”, escreve o time de gestão da Verde. “Mesmo que a guerra termine amanhã, devemos conviver com preços mais altos de energia por bastante tempo. Os impactos de segunda ordem dessa lógica ainda não foram precificados nos mercados: é um mundo mais estagflacionário.”
No meio do nó geopolítico, o Brasil performou excepcionalmente bem, especialmente o câmbio e o mercado acionário. “Os fluxos estrangeiros seguiram positivos, suportando os preços de ativos”, afirma a equipe do fundo Verde. “É consenso que o país se beneficia de um preço de petróleo mais alto – tanto fiscalmente quanto no balanço de pagamentos – em meio a um universo de mercados emergentes cheio de países importadores de energia”, continua.
O governo tenta amortecer o impacto da alta potencial da gasolina, diesel e outros derivados, mas, quanto mais tempo a guerra levar, mais difícil a situação fica.
A parcela em ações globais foi mantida. Na renda fixa local, a Verde zerou a posição aplicada em juro real, aproveitando os leilões do Tesouro. Nos EUA, manteve a alocação aplicada em juro real e comprada na inflação implícita. Manteve ainda a posição no renminbi chinês e na cesta de moedas contra o dólar, além das opções de compra no real. A casa continua com posição em ouro e adicionou uma pequena posição em prata.
A Verde zerou a compra de proteção de crédito do Brasil contra uma cesta de emergentes, e implementou a compra de proteção de crédito da Arábia Saudita. A alocação de crédito local foi mantida.
Fonte: Valor Econômico
