PorNikkei Asia
Valor — Tóquio
A Fujitsu associou-se ao instituto de investigação Riken, apoiado pelo governo, para desenvolver tecnologia de inteligência artificial generativa que prevê o estado da proteína alvo de um medicamento no corpo mais de dez vezes mais rápido que os métodos existentes.
Usando imagens de proteínas obtidas com microscopia crioeletrônica avançada, a Fujitsu e a Riken aplicaram inteligência artificial generativa para reproduzir as proteínas como estruturas tridimensionais em movimento.
Os testes começarão já no ano fiscal de 2024. A Fujitsu deve entrar em contato este mês com cerca de 90 membros do Life Intelligence Consortium, que inclui empresas farmacêuticas e universidades.
Os medicamentos são administrados com substâncias que se ligam a proteínas específicas que causam doenças e outras condições, ajudando a impedir que os vírus invadam as células ou ataquem o câncer.
A nova tecnologia abre caminho para acelerar o processo de estimativa da forma e dos movimentos da proteína alvo de um determinado medicamento. Em um experimento com proteína ribossômica, um processo que levava um dia inteiro para os especialistas foi reduzido para duas horas.
Os pesquisadores analisaram convencionalmente um grande número de imagens de microscópio eletrônico para prever a estrutura 3D de uma proteína. É difícil prever com precisão seus movimentos. Considerando o limite físico do que pode ser examinado de uma só vez, o trabalho leva até meses.
Os planos preveem o desenvolvimento de uma inteligência artificial que preveja os movimentos das proteínas no nível atômico, com base no material genético.
“Isto poderá ser aplicado no campo da descoberta de medicamentos em cerca de cinco anos”, disse Takashi Kato do Laboratório de Inteligência Artificial da Fujitsu.
A análise detalhada utilizando inteligência artificial generativa nas fases iniciais permitiria que os recursos fossem concentrados em candidatos a medicamentos promissores, aumentando a probabilidade de sucesso no desenvolvimento. Isto poderia levar a um desenvolvimento mais rápido de medicamentos para tratar doenças infecciosas.
O McKinsey Global Institute estima o impacto econômico da inteligência artificial generativa nos produtos farmacêuticos e médicos, incluindo a redução dos custos de desenvolvimento e das vendas de novos medicamentos, num valor anual entre US$ 60 bilhões e US$ 110 bilhões.
Fonte: Valor Econômico