Um alto funcionário da Casa Branca afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trummp, aliviaria as restrições à venda de chips para a China se Pequim concordar em acelerar a exportação de terras raras, em meio as negociações comerciais cruciais entre os dois países em Londres.
Representantes de ambos os países encerraram o primeiro dia de negociações em Londres após mais de seis horas na Lancaster House, uma mansão do século 19 perto do Palácio de Buckingham. O primeiro dia de negociações foi encerrado por volta das 16h (de Brasília). Os negociadores vão se reunir novamente hoje, disse uma autoridade americana.
“Estamos indo bem com a China. A China não é fácil”, disse Trump a repórteres na Casa Branca ontem. “Só estou recebendo notícias positivas.”
A delegação americana foi liderada pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, juntamente com o secretário do Comércio, Howard Lutnick, e o representante comercial (USTR), Jamieson Greer. A presença de Lutnick, ex-CEO da Cantor Fitzgerald, destaca a importância que os controles de exportação desempenham nessas discussões.
Bessent disse a repórteres em Londres que eles tiveram uma “boa reunião” e Lutnick classificou as discussões como “frutíferas”. A delegação chinesa, liderada pelo vice-premiê He Lifeng, se retirou sem falar com a imprensa.
Em Washington, Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, disse que a expectativa é de que os negociadores americanos e chineses cheguem a um acordo que resulte na aceleração da exportação de terras raras e ímãs pela China.
Washington acusou Pequim de renegar um acordo sobre terras raras firmado em Genebra em maio, como parte do cessar-fogo na guerra comercial EUA-China.
“Espero que seja uma reunião curta, com um aperto de mão forte e firme”, disse Hassett à emissora de televisão CNBC logo após o início da reunião em Londres. “Nossa expectativa é que, imediatamente após o acordo, quaisquer controles de exportação dos EUA sejam flexibilizados e as terras raras sejam liberadas em grande volume.”
Seus comentários foram a primeira sugestão de que Trump está disposto a pôr os controles de exportação na mesa de negociações.
Isso marcaria um afastamento significativo do governo Joe Biden, que introduziu controles de exportação abrangentes projetados para dificultar a obtenção de tecnologia avançada de chips dos EUA pela China, que poderia ajudar suas forças armadas.
Hassett não especificou quais controles de exportação seriam flexibilizados, mas sugeriu que o governo não afrouxaria as restrições projetadas para impedir a fabricante americana de chips Nvidia de vender chips de ponta para grupos na China.
O “Financial Times” noticiou no mês passado que o governo Trump planejava colocar vários fabricantes chineses de chips em uma lista negra de exportação do Departamento de Comércio, mas que algumas autoridades queriam adiar a decisão porque acreditavam que a medida teria um impacto negativo nas negociações comerciais entre EUA e China após o “cessar-fogo”.
Em Genebra, os dois lados concordaram em reduzir significativamente as tarifas que haviam imposto um ao outro por 90 dias, devido a preocupações com seu impacto no comércio bilateral e nas cadeias de suprimentos globais.
Hassett afirmou que Pequim vinha “reduzindo o ritmo” das exportações de terras raras, que se tornaram um “ponto de discórdia muito significativo” após o acordo em Genebra. Ele afirmou que a questão fazia parte da conversa telefônica de mais de uma hora que Trump manteve com o presidente chinês, Xi Jinping, na sexta-feira.
Fonte: Valor Econômico


