A premiê da Itália, Giorgia Meloni, comemorou uma vitória esmagadora de seu partido nas eleições para o Parlamento Europeu, que fortaleceram seu poder para influenciar as próximas negociações da União Europeia (UE).
Nesta segunda-feira (10), com a contagem dos votos quase concluída, o partido de extrema direita de Meloni, Irmãos da Itália, consolidou sua posição como a maior força política do país. Conquistou cerca de 28,8% dos votos, crescendo em relação aos 26% obtidos nas eleições gerais de 2022, que a levaram ao poder na Itália.
O forte desempenho da líder italiana contrasta com as derrotas eleitorais do presidente da França, Emmanuel Macron, que convocou eleições antecipadas em resposta ao resultado, e do premiê da Alemanha, Olaf Scholz, cuja coalizão de três partidos sofreu uma derrota esmagadora diante da oposição conservadora e de extrema direita.
Meloni, cuja carreira política teve início em um movimento juvenil pós-fascista, expressou orgulho pelo “resultado sensacional” que, segundo ela, dará à Itália um “papel fundamental” nos delicados debates sobre os cargos principais da UE e o rumo futuro das diretrizes do bloco econômico.
De acordo com Meloni, os eleitores estão se voltando cada vez mais a partidos de extrema direita ao redor do continente e querem que a Europa se incline à direita. Ela também saudou a vitória da líder de extrema direita francesa Marine Le Pen como “muito importante”.
Le Pen conclamou Meloni a se juntar a um supergrupo de direita no Parlamento Europeu. Na atual configuração parlamentar que está de saída, o Reunião Nacional (RN), da França, e o partido de Meloni estão em dois grupos separados.
Até agora, porém, a premiê italiana tem descartado a possibilidade de seus deputados do Parlamento Europeu se unirem ao RN, que poderia se tornar o partido governante na França, após as próximas eleições no país, antecipadas para daqui a três semanas. Meloni tampouco indicou se apoiaria Ursula von der Leyen para um segundo mandato como presidente da Comissão Europeia.
“Este é o melhor resultado que ela poderia sonhar”, disse Ernesto Di Giovanni, cofundador da Utopia, uma firma de consultoria política com sede em Roma, e que foi atuante no mesmo movimento de extrema direita ao qual Meloni se juntou quando adolescente. “Ela queria provar que é a líder indiscutível da centro direita na Itália.”
“Ela virá a Bruxelas dizendo, ‘Ei, eu sou a única que venceu no meu próprio país’”, disse Di Giovanni. “Ela está com as cartas na mão — para ser aquela que ‘escolhe o rei’, para tentar empurrar a comissão rumo a suas políticas mais conservadoras.”
Nesta segunda, Meloni considerou sua vitória uma justificação da forma como seu governo de coalizão de três partidos, que inclui Forza Italia, de centro-direita, e Liga, de extrema direita, tem comandado a terceira maior economia da região do euro.
Juntos, os três parceiros da coalizão incrementaram a participação combinada de votos para 47,46% nas eleições europeias, acima dos 43,78% do resultado em 2022.
“Estou orgulhosa de que estamos indo para o G7 e para a Europa com o governo mais forte de todos”, disse, referindo-se à reunião cúpula dos líderes do G7 que ocorrerá em Bari, ainda nesta semana.
Na jornada para garantir ainda mais votos do que em 2022, Meloni colocou a reputação em jogo, ao promover uma campanha eleitoral altamente personalizada, cujo lema foi “Com Giorgia”, na qual colocou seu próprio nome na cédula eleitoral.
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Fonte: Valor Econômico
