A economia da Argentina emergiu de uma recessão severa no terceiro trimestre de 2024, um marco para o presidente libertário Javier Milei em sua tentativa de acabar com a crise de longa duração do país.
O PIB expandiu 3,9% no terceiro trimestre (em termos sazonalmente ajustados) em relação ao segundo trimestre, marcando o primeiro trimestre de crescimento da Argentina desde que entrou em recessão no fim de 2023, informou a agência de estatísticas do país nesta segunda-feira (16).
Comparado com o mesmo período em 2023, o PIB do terceiro trimestre contraiu 2,1%.
A recuperação ocorre quando Milei completa um ano no cargo, durante o qual ele promoveu cortes brutais de gastos e uma forte iniciativa de desregulamentação. O programa reduziu a inflação anual de três dígitos do país e fez do libertário um dos líderes mais proeminentes da direita global, ganhando apoios de pessoas como o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, e um de seus conselheiros mais próximos, o bilionário Elon Musk.
Os títulos soberanos da Argentina subiram nesta segunda-feira (16), com o prêmio sobre os títulos do Tesouro dos EUA que os investidores exigem para manter a dívida argentina em suas carteiras caindo 4,4% para 677 pontos-base, abaixo dos mais de 2.000 quando Milei assumiu o cargo.
A crise econômica — causada em grande parte pelo uso de impressão de dinheiro para financiar gastos por governos anteriores, o que alimentava a inflação — se aprofundou nos primeiros meses da presidência de Milei, com austeridade e inflação. A taxa de pobreza do país disparou 11 pontos no primeiro semestre de 2024 para 53%.
Embora o JPMorgan estime que a economia da Argentina encerre 2024 com uma contração anual de 3%, o banco de investimentos projeta um crescimento de 5,2% em 2025. Mas esse crescimento apenas retornaria o PIB per capita ao nível de 2021, quando a economia estava emergindo da pandemia.
A expansão no terceiro trimestre foi impulsionada por uma recuperação nos gastos do consumidor e no investimento de capital de um declínio acentuado no início deste ano, e pelo forte crescimento nas exportações agrícolas e de mineração. Já a indústria manufatureia e a construção continuaram profundamente deprimidas.
Analistas têm alertado que Milei precisa promover um crescimento econômico duradouro para começar a elevar os padrões de vida dos argentinos se quiser expandir a pequena minoria de seu partido La Libertad Avanza nas eleições legislativas de outubro de 2025.
Seu governo ainda está diante de grandes desafios, incluindo a suspensão dos controles de capital e cambial, que estão impedindo o investimento estrangeiro e o banco central argentino de acumular reservas em moeda forte.
Sebastián Menescaldi, diretor da consultoria EcoGo em Buenos Aires, disse que espera que a economia continue a crescer em 2025 “embora em um ritmo mais lento” do que a recuperação inicial.
“Isso ainda dará a Milei um número forte de 5% no ano que vem… mas o efeito será sentido de forma muito desigual entre os setores da economia e os grupos de trabalhadores”, acrescentou.
Fonte: Valor Econômico