Por Colby Smith, James Fontanella-Khan e Brooke Masters — Do Financial Times
13/03/2023 05h02 · Atualizado
O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) anunciou uma nova linha de empréstimo de emergência no domingo para fortalecer o sistema bancário dos EUA e disse que outro banco foi foi fechado, enquanto tentava conter o contágio após a implosão do Silicon Valley Bank (SVB).
Em um comunicado, o Fed disse que disponibilizaria financiamento adicional às instituições depositárias elegíveis para “ajudar a garantir que os bancos tenham a capacidade de atender às necessidades de todos os seus depositantes”. Acrescentou que está “preparado para lidar com quaisquer pressões de liquidez que possam surgir”.
A nova facilidade, o Programa de Financiamento a Prazo do Banco (BTFP), oferecerá empréstimos de até um ano para os credores que utilizarem como garantia títulos do Tesouro dos EUA, dívidas de agências, títulos lastreados em hipotecas e outros “ativos qualificados”. O Fed disse que os ativos serão avaliados a valor de face e que o BTFP “eliminará a necessidade de instituição de vender rapidamente esses títulos em tempos de estresse”.
Em uma declaração conjunta emitida juntamente com a nova linha de crédito, a secretária do Tesouro, Janet Yellen, o presidente do Fed, Jay Powell, e Martin Gruenberg, da Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), disseram que essa medida “garantirá que o sistema bancário dos EUA continue a desempenhar funções vitais de proteção de depósitos e acesso ao crédito para famílias e empresas de forma a promover um crescimento econômico forte e sustentável”.
Os reguladores afirmaram que todos os depositantes do Silicon Valley Bank teriam acesso ao seu dinheiro na segunda-feira. Além disso, todos os depósitos do Signature Bank, que disseram ter sido adquirido pelo Departamento de Serviços Financeiros de Nova York, também seriam recuperados.
Nenhuma perda seria suportada pelo contribuinte, disseram as autoridades. Qualquer déficit seria financiado por uma taxa sobre o resto do sistema bancário. Os dirigentes acrescentaram, porém, que os acionistas e certos detentores de dívidas não garantidos não serão protegidos.
A probabilidade de o SVB ou o Signature Bank serem adquiridos por um banco rival era improvável, já que todos os potenciais compradores até agora desistiram, disseram pessoas com conhecimento direto das negociações e que têm trabalhado com o SVB e o governo dos EUA.
O PNC, um grande banco dos EUA, e o RBC do Canadá foram convidados a comprar o SVB, mas decidiram não fazer uma oferta porque o negócio faria pouco sentido, disseram pessoas com conhecimento do assunto. Os cinco maiores bancos dos Estados Unidos, incluindo J.P. Morgan e Bank of America, também não serão compradores, disseram essas mesmas pessoas.
Para que uma transação faça sentido para qualquer comprador, o governo dos EUA precisaria cobrir parte de suas perdas, disse uma pessoa que trabalha com o banco californiano em dificuldades. No entanto, Essa fonte disse que o governo deixou claro que não pretende repassar dinheiro dos contribuintes para socorrer o SVB.
A secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, rejeitou no domingo a ideia de um resgate da instituição pelo governo. Em depoimento à rede de televisão “ CBS ”, Yellen procurou garantir aos clientes americanos do banco voltado para o setor de tecnologia, que políticas estão sendo discutidas para conter as consequências do colapso repentino da instituição na semana passada. A agência Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) assumiu o controle do banco na manhã de sexta-feira e no fim de semana trabalhou para garantir que os depositantes tenham acesso aos seus recursos a partir desta segunda-feira.
“Deixe-me esclarecer que durante a crise financeira, houve investidores e proprietários de bancos importantes do ponto de vista sistêmico que foram socorridos… e as reformas que foram implementadas significam que não vamos fazer isso novamente [resgatar bancos]”, afirmou Yellen no programa “Face the Nation”. “Mas estamos preocupados com os depositantes e estamos focados em tentar atender as suas necessidades.”
No entanto, a maioria dos clientes do SVB não têm direito à cobertura do órgão regulador, o que levou algumas empresas no fim de semana a correr para vender seus depósitos para pagar salários e outras despesas operacionais. No fim do ano passado, quase 96% deles não eram cobertos pela política de seguro da FDIC, que garante depósitos de até US$ 250 mil. A FDIC disse que pagará aos clientes sem seguro um “dividendo antecipado” em uma semana, que será uma porcentagem de seus depósitos.
O bilionário gestor de fundos hedge Bill Ackman alertou no sábado para a possibilidade de ocorrer corrida bancária, com exceção das maiores instituições, se o governo não garantir todos os depósitos do SVB, ou se o banco não for adquirido. “As consequências não intencionais da falha do governo em garantir os depósitos do SVB são grandes e profundas e precisam ser consideradas e resolvidas antes da segunda-feira, escreveu o gestor em seu canal no Twitter.
Fonte: Valor Econômico


