Novo Nordisk pode estender campanha de conscientização contra o estigma da obesidade a profissionais e estudantes da área de saúde
— De Cannes (França)
O laboratório dinamarquês Novo Nordisk, dono do remédio Ozempic, que virou uma febre em tratamentos para emagrecimento, pode estender uma campanha de conscientização sobre o estigma em torno da obesidade, lançada em 2021, a profissionais e estudantes da área da saúde.
“Agora temos escolas de medicina, de enfermagem e farmácia em todo o mundo perguntando como incorporar [os temas de] saúde do peso e obesidade como uma doença em seus currículos”, disse a vice-presidente sênior de estratégia comercial e marketing da Novo Nordisk, Tejal Vishalpura, em um painel no festival de criatividade Cannes Lions 2024, ontem (18).
Focar em profissionais e estudantes da área de saúde abre caminho para que a Novo Nordisk mantenha a curva crescente de vendas do Ozempic, bem como do novo medicamento Wegovy, também voltado ao emagrecimento. No primeiro trimestre, as vendas da empresa cresceram 22%, para US$ 9,4 bilhões, na comparação anual. O lucro líquido subiu 28%, para US$ 3,65 bilhões.
Lançado em 2017, o Ozempic, medicamento para tratamento do diabetes tipo 2, virou um sucesso comercial do laboratório dinamarquês Novo Nordisk e se popularizou no Brasil no ano passado.
Além do impacto comercial direto de vendas, o efeito do Ozempic já é notado na indústria de vestuário, que tem registrado uma demanda maior por roupas novas, de tamanhos menores, nos Estados Unidos, mostrou uma reportagem “The Wall Street Journal”, no início da semana.
O painel contou com a presença da atriz americana Queen Latifah, embaixadora da campanha “É maior que isso” (“It’s Bigger Than This”), lançada pela Novo Nordisk em 2021, nos Estados Unidos. Latifah reforçou a necessidade de conscientização sobre o tema pelos profissionais de saúde. “Muitos médicos não têm realmente conhecimento da maneira como falam [com pacientes que sofrem de obesidade]”, disse Latifah.
Em 2022, 43% da população adulta no mundo, com 18 anos ou mais, estavam acima do peso. Destes, 890 milhões viviam com obesidade, informa a Organização Mundial de Saúde. Desde a década de 1990, a obesidade mais do que dobrou no mundo.
Fonte: Valor Econômico