A Riza Holding concluiu a compra da Virgo, securitizadora que enfrentou uma crise de confiança neste ano após o uso indevido de recursos de operações que estavam sob seu guarda-chuva. Depois do fechamento da transação, que está sujeita a condições precedentes usuais de mercado, a companhia passará a ser comandada por Fausto Assis, ex-diretor da XP.
O plano do executivo é reposicionar a Virgo no mercado, com o fortalecimento das estruturas de governança. “Para fins de credibilidade, estamos trabalhando em um desenho no qual a antiga gestão sairá da operação. Faremos um rearranjo buscando talentos com história na companhia que irão assumir cargos importantes, entre eles o comercial”, disse Assis ao Valor.
A securitizadora será reorganizada em quatro áreas: risco e compliance, comercial, securitização e tecnologia. “Vamos colocar mais energia em governança nesse primeiro momento, onde pretendemos trabalhar de forma consistente com tecnologia e garantir que não haja conflitos de estrutura. Será algo totalmente independente das outras empresas da holding”, explica.
Além da Asset, que hoje está com quase R$ 20 bilhões sob gestão, a Riza também controla outras empresas como a RZ Ambiental e a Mousik.
Assis trabalhou ao lado de Daniel Lemos na XP, onde foi diretor-executivo de operações (COO), diretor estatutário e responsável pela criação do Banco XP. Também atuou no desenvolvimento do núcleo de serviços qualificados, na função de diretor de administração fiduciária de fundos de investimento líquidos e ilíquidos.
Segundo Lemos, além dos ajustes nos controles, também deve ser feito em breve a mudança do nome da Virgo para Riza Sec. “A governança não se esconde atrás de um nome diferente, mas o novo ajudará a traduzir as boas práticas e a efetividade de controles que pretendemos implementar”, afirmou.
As tratativas entre Riza e Virgo começaram no fim de agosto, quando foi assinado um acordo não vinculante. Naquele mesmo mês, a Virgo foi alvo de duas denúncias apresentadas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre o uso indevido de fundos de reserva de CRIs e CRAs em um fundo de investimento que comprou uma operação específica — o CRI da Cedro.
O uso desses recursos é considerado indevido porque os fundos de reserva funcionam como um colchão de segurança para a operação e só podem ser aplicados em investimentos específicos, de alta liquidez, de modo que possam ser acessados imediatamente, caso necessário.
Há alguns dias, foi informado ao mercado que os títulos da Cedro serão recomprados pelo emissor. Na última semana, como parte do acordo de compra, a Riza Holding fez um aporte para devolver parte dos recursos investidos indevidamente aos fundos de reserva. Segundo Assis, outros R$ 45 milhões ainda serão devolvidos após o pré-pagamento do título pela Cedro.
Quando essas questões forem resolvidas e a remodelação da empresa avançar, o plano é que a Riza Sec ganhe mercado através da criação de novas estruturas de dívida, olhando principalmente para certificados de recebíveis (CR) alternativos. “Hoje, a indústria está muito concentrada em FIDC, mas deve ser transformada com os CRs”, disse.
Do lado da Riza, o plano é se consolidar com uma holding de negócios, “caminhando para entrar em novos business através de pessoas com background e poder replicar nas novas áreas os avanços em governança e tecnologia”, disse Rafael Brito, sócio responsável por distribuição, captação e parcerias.
Fonte: Valor Econômico


