Um grupo de credores da Raízen enviou, no fim de semana, uma carta aos acionistas da companhia, Cosan e Shell, pedindo reequilíbrio da proposta feita na semana passada no âmbito da reestruturação da empresa, apurou o Valor. Uma fonte disse que a proposta entregue pela Raízen aos credores não agradou e que há reunião marcada nesta quarta-feira (8), em Nova York, para se discutir o assunto.
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A Raízen propôs aos credores conversão de 45% da dívida em participação acionária, ou seja, cerca de R$ 29 bilhões. Ainda nessa proposta, conforme apurou o Valor com fontes próximas, estava um pedido de alongamento do restante da dívida por 13 anos e dinheiro novo na companhia, por meio de empréstimo de R$ 5 bilhões, com cinco anos de carência.
Fora isso, desagradou o fato de a Shell ter apresentado um plano com mecanismo para manter o controle da companhia, por meio da divisão do capital social em ações ordinárias e preferenciais. “A Shell criou um mecanismo para ditar as regras”, disse uma fonte.
Na carta enviada, os credores apontam que a proposta precisa ser refeita de modo a trazer um equilíbrio, já que a conta ficou mais pesada para eles, conforme o entendimento desse grupo. A Shell, ainda conforme a última proposta apresentada, manteve a intenção de fazer aporte de R$ 3,5 bilhões na companhia, com mais R$ 500 milhões comprometidos pela holding de Rubens Ometto, dono da Cosan.
Um interlocutor que participa das conversas disse que, nesse reequilíbrio, será necessário um aporte maior dos acionistas, de ao menos R$ 10 bilhões na companhia, muito embora ainda não exista um consenso entre os credores sobre esse valor. Inicialmente o pedido era de injeção de capital da ordem de R$ 25 bilhões.
Os credores também querem discutir as condições de alongamento dos vencimentos e também há discordância em relação ao tamanho da dívida que seria convertida em ações nesse processo. “Se busca uma nova estrutura da proposta, que a empresa venda mais ativos, que os acionistas façam um aporte maior para não necessitar uma conversão tão grande”, disse uma das fontes.
Um sinal que foi recebido de forma positiva é que, na reunião de quarta-feira, a Cosan vai participar, o que foi entendido que a companhia pode rever sua posição e participar do aumento de capital na Raízen. Procuradas as empresas não comentaram.
A Raízen entrou em recuperação extrajudicial há quase um mês e precisa chegar a um acordo com mais de metade de seus credores sobre o plano a ser seguido.
Fonte: Valor Econômico