Grupo de credores da Raízen, incluindo bancos e os detentores de papéis de dívida externa, os bondholders, vai se reunir na próxima semana para estruturarem uma contraproposta para ser enviada aos acionistas da companhia, que está em recuperação extrajudicial, apurou o Valor.
Os credores e representantes da Raízen e seus acionistas, Shell e Cosan, se reuniram na última quarta-feira em Nova York para discutirem o plano que foi apresentado na semana passada. Nele, a proposta foi de uma conversão de 45% da dívida em participação acionária, ou seja, cerca de R$ 29 bilhões. Ainda nessa proposta, conforme apurou o Valor com fontes próximas, estava um pedido de alongamento do restante da dívida por 13 anos e dinheiro novo na companhia, por meio de um empréstimo a ser feita pelos credores, de R$ 5 bilhões, com cinco anos de carência. O plano não agradou os credores, que já pediram um reequilíbrio da proposta.
A Shell, ainda conforme a última proposta apresentada, manteve a intenção de fazer um aporte de R$ 3,5 bilhões na companhia, com mais R$ 500 milhões comprometidos pela holding de Rubens Ometto, dono da Cosan. Na reunião não teria sido dada nenhuma sinalização de aumento desses valores.
Ainda no encontro desta semana, o alto escalão da Raízen participou de uma espécie de sessão de perguntas e respostas, na qual foram respondidos questionamentos sobre projeções da companhia e questões operacionais, por exemplo. Segundo fontes, essa parte da reunião foi a que ocupou mais tempo e foi considerada por participantes como “produtiva”.
Já na segunda parte do encontro foi reapresentada aos credores a proposta já realizada, sem nenhuma mudança. A companhia explicou com mais detalhes a estrutura do plano, disseram interlocutores a par do tema.
Agora, credores juntamente com os assessores contratados irão discutir uma nova proposta para ser apresentada. Devem trazer à mesa quanto vão pedir de novos recursos por meio de uma injeção de capital, além da estrutura de garantias que serão dadas para o alongamento da dívida. O valor de R$ 4 bilhões é entendido como muito baixo dado o elevado endividamento da empresa, na casa de R$ 65 bilhões
A companhia possui à frente um prazo de cerca de dois meses para chegar a um acordo para poder apresentar um plano dentro da recuperação extrajudicial. Para isso, precisa a concordância de mais da metade dos credores, considerando o volume financeiro.
Procuradas, Shell e Raízen não comentaram até o momento.
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Fonte: Valor Econômico