Por Fernanda Guimarães e Mônica Scaramuzzo — De São Paulo
03/08/2023 05h01 Atualizado há 3 horas
Um casamento que pode ser considerado improvável por muitos acaba de dar origem a uma nova gestora paulista de fortunas. Um ex-executivo de longa data do Credit Suisse no Brasil, Sávio Barros se uniu a Bruno Rodrigues, um ex-militar de 33 anos formado em engenharia mecânica no Instituto Tecnológico de Aeronáutico (ITA) e que carrega no currículo o marco de ter sido o mais jovem diretor estatutário a comandar a gestão de patrimônio dos clientes na América Latina da filial brasileira do banco suíço, para abrir as portas da gestora de fortunas já batizada de Sten.
A nova casa é lançada poucas semanas depois da venda do CS ter sido aprovada pelos reguladores locais ao UBS, uma operação costurada após uma série de escândalos que mancharam a credibilidade do banco suíço. No Brasil, apesar da crise na Europa, o braço private era visto como a joia da coroa da subsidiária brasileira.
Agora, a nova casa, nos arredores do Itaim, já nasce com R$ 6 bilhões de investimentos comprometidos, concentrados de sete famílias abastadas, entre São Paulo, capital e interior, além do Rio de Janeiro – e alguns clientes do próprio CS. Dentre esse seleto grupo, segundo os sócios, há ex-banqueiros, algo que neste momento, ajuda a estampar um selo de confiança na nova gestora, apontam.
Barros, que começou a carreira com velhos conhecidos do mercado financeiro no banco Garantia, em 1981, como trainee, ficou por 41 anos no Credit Suisse, sendo os últimos ocupando uma cadeira no Conselho de Administração.
No último ano, depois de ter deixado a instituição financeira, passou pelo seu “garden leave” (como se chama no mercado financeiro o período em que o executivo deixa o cargo, sem poder competir), período que acaba de se encerrar. Agora, livre, Barros conta que já tirou a agenda de telefone da gaveta e retomou os contatos – alguns de algumas décadas. A meta até o fim do ano, segundo ele, é ambiciosa, de atingir entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões sob gestão.
Para isso, Barros resgatará esses contatos e não necessariamente a ideia é tirar os clientes que ficaram no Credit – agora UBS. “Há espaço para todos”, comenta.
Rodrigues e Barros lembram que ao longo dos últimos anos, algumas das más decisões da matriz do banco suíço respingaram na filial brasileira, chegando na forma de questionamentos vindos de clientes, muito embora o private do Brasil sempre fosse reconhecido como um dos melhores e com sólido “track record” (histórico de desempenho) do mercado.
Com uma nova casa em um mercado muito competitivo e com os grandes bancos cada vez mais explorando esse nicho, o diferencial, segundo os sócios, será apostar em um time “ultra técnico” liderado por Rodrigues. Hoje esse grupo já conta com dez pessoas – nove ex-CS. “É um time que trabalha junto há muito tempo”, diz. O outro membro do grupo é um antigo colega de faculdade dos tempos do ITA. É por essa capacidade que a dupla acredita que conseguirá atrair os milionários – e bilionários – para a gestora.
No foco de atração da casa estão famílias com liquidez para investir R$ 50 milhões, não que uma fortuna menor não possa ser aceita, explica Barros, mas dentro de um contexto de que exista um evento de liquidez mais à frente. Cada caso pode ser analisado de forma individual, diz. O objetivo, segundo ele, não é ter uma grande carteira de clientes, já que a meta é manter o atendimento próximo e “de butique”.
Fonte: Valor Econômico