O Conselho de Supervisão de Contabilidade das Companhias Abertas dos EUA (PCAOB, na sigla em inglês) disse ontem ter obtido, pela primeira vez na história, acesso total para inspecionar as firmas de auditoria baseadas na China, redefinindo um prazo de três anos para a retirada de ações de empresas chinesas das bolsas de valores americanas.
A autoridade reguladora do trabalho de auditoria nos EUA disse que sua recente inspeção dessas firmas foi conduzida sem consulta ou contribuição das autoridades chinesas.
Recentemente, o PCAOB enviou 30 funcionários a uma inspeção de campo de nove semanas em Hong Kong, dobrando o tamanho de sua equipe normal de inspeções. Eles permaneceram em Hong Kong três semanas a mais do que o normal nessas inspeções, segundo disse a presidente do conselho, Erica Williams, em entrevista coletiva.
O PCAOB inspecionou os registros de auditoria de oito companhias em duas firmas, a KPMG Huazhen, na China continental, e a PwC em Hong Kong, incluindo empresas estatais e outras que operam em setores sensíveis.
“O anúncio de hoje [ontem] não deve ser mal interpretado de forma alguma como um atestado de saúde para empresas na China continental e em Hong Kong”, disse Williams. “Trata-se do reconhecimento de que, pela primeira vez na história, pudemos realizar inspeções e investigações completas e minuciosas para erradicar possíveis problemas e responsabilizar as firmas para resolvê-los.”
As inspeções ocorreram entre setembro e novembro, após o histórico acordo firmado em agosto entre reguladores de Washington e Pequim. O PCAOB teve arbítrio para selecionar as firmas e seus trabalhos de auditoria, no processo de inspeção, e teve acesso direto para colher depoimentos de todo o pessoal associado.
O PCAOB identificou várias possíveis deficiências, que segundo Williams foram consistentes com as descobertas feitas pela agência em outras inspeções iniciais em todo o mundo. A agência reguladora disse que divulgará um relatório sobre as inspeções em 2023.
Por mais de uma década, as autoridades reguladoras da China se recusaram a permitir que o PCAOB inspecionasse firmas de contabilidade baseadas na China, ou permitir o acesso rotineiro a registros de auditoria de empresas chinesas, alegando preocupações com a segurança nacional. Pequim amenizou sua posição este ano, depois que os EUA começaram a implementar a Lei de Responsabilização de Empresas Estrangeiras, que forçaria o fechamento do capital de empresas cujos auditores não pudessem ser inspecionados por três anos consecutivos.
No terceiro trimestre, mais de 160 companhias foram apontadas pela Securities and Exchange Commission (SEC) como fora de conformidade com a nova lei – sob o risco de perder suas listagens nos EUA a partir de 2024.
A decisão mais recente apenas zera o relógio para a contagem regressiva de três anos para a retirada dessas empresas das bolsas de valores, e os auditores de companhias chinesas listadas nos EUA continuarão sujeitos às inspeções dos EUA. O PCAOB disse que pretende retomar as inspeções regulares no começo de 2023 e além, e, se a qualquer momento tiver seu acesso negado, poderá reavaliar sua posição.
Enquanto estiveram em Hong Kong, os funcionários do PCAOB inspecionaram os registros de auditoria de empresas como a gigante do comércio eletrônico Alibaba e a operadora de restaurantes Yum China Holdings, segundo informou anteriormente o “The Wall Street Journal”.
Em 30 de setembro deste ano, havia 262 empresas chinesas listadas nos EUA, com um valor de mercado combinado de cerca de US$ 775 bilhões, segundo a Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China.
Fonte: Valor Econômico