Por Nikkei Asia — Washington
08/05/2023 15h23 Atualizado há 18 horas
Shein e outros e-commerces da China são alvos de investigação nos Estados Unidos devido a possíveis violações de direitos humanos e de propriedades intelectuais. O movimento acontece após a intenção da Shein de realizar uma oferta inicial de ações (IPO), provocando reações no Congresso dos EUA.
A Comissão de Revisão Econômica e de Segurança entre EUA e China (USCC) divulgou um relatório sobre empresas chinesas de comércio eletrônico, com foco particular na marca de roupas Shein, em que alega que as empresas se utilizam de trabalho forçado e violação de propriedade intelectual.
A Shein, que vende roupas de baixo preço em mais de 150 países, é uma marca famosa entre jovens e lança uma série de novos produtos diariamente. Ela ultrapassou marcas populares de fast-fashion europeias como Zara e H&M nos EUA, segundo o relatório.
Mas a Shein enfrenta críticas sobre as más condições de trabalho nas fábricas de fornecedores, bem como diversos problemas de violação de direitos autorais.
A Shein, agora sediada em Cingapura, mira um IPO nos Estados Unidos ainda neste ano, porém a acusação de utilizar trabalho forçado na região de Xinjiang, na China, pode impedir o movimento.
A Lei Uigur de Prevenção ao Trabalho Forçado, que entrou em vigor nos EUA em junho passado, proíbe as importações de produtos fabricados em Xinjiang, lar do grupo étnico uigur. A Shein disse que exige que os fornecedores comprem algodão de regiões aprovadas, como Austrália, Brasil, Índia e Estados Unidos, para cumprir a legislação.
Outros varejistas eletrônicos chineses também estão sob análise do Congresso americano.
Temu, uma plataforma de comércio eletrônico que oferece uma ampla variedade de produtos a preços baixos, foi lançada nos EUA no outono passado e se tornou o aplicativo gratuito mais baixado no país no início de fevereiro, graças em parte ao marketing em mídias sociais.
O Temu é administrado pela PDD Holdings, operadora da plataforma Pinduoduo da China, que conquistou participação em um setor povoado por gigantes, como o Alibaba Group. Washington já acusou Pinduoduo de cumplicidade na violação de direitos autorais.
O analista político Nicholas Kaufman, autor do relatório da USCC, disse que Shein e possivelmente outras empresas chinesas de roupa “parecem estar comprando mercadorias” de Xinjiang ilegalmente. Ele também alegou que os varejistas chineses “rotineiramente” violam os direitos de propriedade intelectual dos EUA, o que é “um problema específico para artistas independentes que têm seus designs usados sem permissão”.
Washington enfatizou a proteção dos trabalhadores e os direitos humanos nas críticas às multinacionais chinesas. A representante comercial dos EUA, Katherine Tai, disse que o país busca melhorar os padrões trabalhistas em todo o mundo e pediu pelo fim do trabalho forçado nas cadeias de suprimentos globais.
Fonte: Valor Econômico
