Investidores estão alocando recursos em fundos de mercados emergentes em ritmo recorde, à medida que ganha força um movimento de rotação para fora de ativos dos Estados Unidos.
O iShares Core MSCI Emerging Markets ETF, com patrimônio de US$ 134 bilhões, captou quase US$ 6 bilhões neste mês. Com isso, o fundo caminha para registrar o maior ingresso mensal desde seu lançamento, em 2012, superando o recorde anterior, de novembro de 2025. O ETF, que investe no conjunto mais amplo de ações de mercados emergentes, recebeu US$ 639 milhões em novos aportes apenas na quarta-feira.
O movimento reforça a evidência de que investidores estão ampliando exposição à classe de ativos, em um cenário em que ações de tecnologia na Ásia atingem máximas históricas e gestores de recursos ao redor do mundo buscam alternativas aos mercados americanos. Um dos maiores fundos globais atrelados a ações dos EUA, o SPDR S&P 500 ETF, registrou saídas de US$ 13,4 bilhões neste mês, caminhando para o pior mês de resgates desde março, após as mais recentes ameaças tarifárias do presidente Donald Trump relacionadas à Groenlândia abalarem os mercados.
Outro fundo da BlackRock, que acompanha um benchmark mais restrito do MSCI, recebeu US$ 2,43 bilhões em aportes neste mês, o maior volume desde janeiro de 2018. Um ponto em comum entre os dois fundos é a forte concentração em quatro mercados asiáticos — Taiwan, China, Índia e Coreia do Sul — que juntos respondem por cerca de 70% dos portfólios.
A aceleração dos investimentos em fundos de ações de mercados emergentes coincide com a retomada de uma tendência de diversificação, na qual investidores reduzem exposição a ativos dos Estados Unidos em resposta às decisões voláteis de política econômica do presidente Trump. Já no ano passado, alguns investidores passaram a enxergar mercados emergentes de maior qualidade como relativamente mais seguros do que seus pares desenvolvidos, citando posições fiscais e de contas externas mais sólidas, além de ambientes de política econômica mais previsíveis.
“A tendência de diversificação para fora de ativos de risco dos Estados Unidos, tanto em renda variável quanto em renda fixa, iniciada após o chamado Liberation Day no ano passado, segue muito presente”, afirmou Alan Siow, gestor de portfólio da Ninety One. “Os investidores tentam precificar quando manchetes diárias, que podem ser revertidas em poucos dias ou semanas, passam a se consolidar em um novo paradigma duradouro. Quando o mercado chega a essa conclusão, o que hoje é um fluxo gradual pode rapidamente se transformar em uma enxurrada.”
As ações de mercados emergentes têm superado seus pares americanos no início de 2026. O índice MSCI Emerging Markets acumula alta de 6,2% em janeiro, enquanto o S&P 500 permanece praticamente estável. O desempenho sucede o primeiro ano, desde 2017, em que as ações de mercados emergentes superaram o principal índice de referência dos Estados Unidos.
O índice MSCI voltou a atingir um recorde histórico na quinta-feira, após comentários mais recentes de Trump sobre seus planos para a Groenlândia reduzirem os temores de um agravamento das relações transatlânticas. Enquanto isso, o rali das ações ligadas à inteligência artificial segue em curso, apesar das preocupações com os níveis de valuation.
Fonte: Capital Aberto