10 Jan 2024 COLABOROU PAULA FERREIRA ROBERTA JANSEN
O ano de 2024 deve ser ainda mais quente do que o de 2023, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), em consequência das mudanças climáticas em curso, somadas à ocorrência do fenômeno El Niño, de aquecimento das águas do Pacífico, que se estenderá até meados do ano.
De acordo com relatório do fim do ano passado da OMM, assinado pelo diretor-geral da organização, Petteri Taalas, o principal fator por trás do aumento das temperaturas é o aquecimento global, mas o El Niño “tem impacto na temperatura global, especialmente no ano seguinte ao de sua formação, neste caso, em 2024” .
Além das ondas de calor e elevação das temperaturas, o El Niño deve provocar no País alteração no regime de chuvas, causando novos eventos de seca e estiagem intensas, sobretudo no Nordeste e no Norte, e chuvas acima do normal no Sul, a exemplo do que já ocorreu em 2023 (Mais informações nesta página). Além disso, incêndios florestais no Cerrado e na Amazônia podem ocorrer com mais frequência.
“Não temos como fazer uma previsão exata, mas, se em 2024, teremos condições de El Niño durante parte do ano, temos que nos preparar”, afirmou a climatologista Karina Lima, pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “Independentemente do El Niño, que é um fator que contribui, o aquecimento global é o fator principal e continua escalando. Sabemos que, em um mundo mais quente, a tendência geral é de aumento de frequência e intensidade de eventos extremos.”
Membro da Coalizão Brasil e presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Marina Grossi disse em entrevista ao Estadão que o País ainda não está pronto para lidar com eventos climáticos extremos que serão “o novo normal”. “Poucas são as cidades que têm isso incorporado (a prevenção)”, diz.
O Estado de S. Paulo


