Baixo turnover, alto nível de engajamento e novas abordagens para soluções de problemas são alguns dos benefícios atribuídos à diversidade
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A Nestlé Brasil tem 44% de mulheres em seu quadro total e 45% em altos cargos, registrando avanços de cinco e dez pontos percentuais, respectivamente, em cinco anos. Segundo Matheus Camargo, coordenador de diversidade e inclusão da companhia, as mulheres que participaram dos programas de desenvolvimento afirmativos tiveram uma taxa de promoção quase três vezes maior do que a média da empresa e, em 2024, houve 100% de retenção. “Incentivar a conexão e o sentimento de pertencimento gera impacto direto na performance”, avalia.
Entre as iniciativas, a Nestlé criou o programa Empoderadas, que acelera a carreira de mulheres em áreas técnicas para que alcancem postos de liderança em fábricas e centros de distribuição.
Um dos casos emblemáticos é a fábrica de Nescafé Dolce Gusto e Leite Moça, em Montes Claros (MG), fundada em 2015, que hoje conta com 55% de participação feminina. Nessa planta, foi nomeada a primeira diretora de fábrica da Nestlé no Brasil, e até hoje a posição continua sendo ocupada por uma mulher, Mariana Gradnauer.
“A unidade conquista, ano após ano, avaliações positivas de qualidade e segurança do trabalho e vem superando metas de produtividade, entrega de maiores volumes e redução de custos”, enfatiza Camargo.
Estudos apontam que a inclusão feminina e a equidade de gênero contribuem, de fato, para maiores retornos empresariais. A McKinsey & Company fez um levantamento global intitulado “Diversidade importa cada vez mais”, em 2023, que revela que companhias com maior presença de mulheres em equipes executivas são 39% mais propensas a ter melhor desempenho financeiro em comparação com o grupo de organizações que possuem baixa representatividade. O aumento da participação feminina e da diversidade na liderança também foi correlacionado com impactos sociais e ambientais positivos.
Outra pesquisa da consultoria, “Mulheres no local de trabalho 2024”, aponta que a diversidade impulsiona a inovação e destaca também que o trabalho flexível, remoto ou híbrido melhora a produtividade, segundo 8 a cada 10 profissionais. Contudo, o grande desafio, segundo indica a McKinsey, é que apenas 1 a cada 4 companhias adotou práticas de contratação e de avaliação de desempenho seguindo práticas justas.
Segundo um estudo encomendado pela B3, 81% dos brasileiros dão preferência a marcas que apoiam a diversidade e 27% estão dispostos a pagar mais por elas. A principais ações demandadas são a contratação de pessoas de grupos sub-representados, incluindo gênero, e a oferta de produtos para um público mais diverso.
Além da Nestlé, outras empresas têm evoluído na direção da equidade de gênero. No ramo farmacêutico, a Eurofarmasempre valorizou a diversidade. Mas, durante a pandemia, decidiu criar grupos de afinidade como o EuroElas para aprimorar suas ações.
“Desde 2020, temos metas de contratação atreladas aos bônus para todos os executivos, visando que 50% das vagas sejam preenchidas por mulheres. Além disso, metade das promoções deve contemplar mulheres”, explica Daniela Panagassi, vice-presidente global de pessoas e organização da Eurofarma. Desse modo, a equipe de RH tem a missão de identificar currículos de candidatas qualificadas, e a empresa também atua na capacitação, por exemplo, com o programa de aceleração feminina EuroAcelera, além de mentorias e academias de liderança. Em benefícios, a companhia oferece, entre outros, licença maternidade estendida até 12 meses e uma creche para os filhos dos colaboradores. Por conta desse conjunto de medidas, o nível de engajamento é alto e o turnover voluntário geral e o específico feminino ficam abaixo de 3%.
Atualmente, dos 13,3 mil funcionários, 45% são mulheres, e na alta liderança (C-level) a presença feminina já é de 50%. “Na vice-presidência de inovação, uma área estratégica, a participação feminina é mais elevada, chegou a 67%”, comenta Panagassi. Segundo ela, houve mudança de paradigma nos últimos anos, com o avanço de farmacêuticas e pesquisadoras qualificadas no mercado. Os resultados têm sido positivos. A companhia assumiu liderança em “market share” de lançamentos no mercado brasileiro, com 9,2% em 24 meses, e cerca de 30% da receita veio de fármacos desenvolvidos nos últimos 60 meses, segundo seu último relatório anual divulgado (fechamento de 2023).
Acreditamos que a inovação só pode acontecer em um ambiente diverso”
Ao intensificar sua força de vendas, um setor predominantemente masculino, a empresa farmacêutica também atuou para aumentar a presença feminina. Em 2023, foram contratadas 338 mulheres, 55% do total. Já no ano passado, houve um salto de 9 pontos percentuais, para 64% de mulheres contratadas. “A inclusão de mulheres e a diversidade trazem novas abordagens para soluções de problemas e estratégias”, ressalta Roberta Junqueira, diretora comercial da Eurofarma. Segundo ela, esse é um dos fatores de crescimento, embora existam outras alavancas. De 2022 para 2023, a receita total da companhia teve alta de 14%, e a Eurofarma segue líder no segmento de prescrição médica no país desde 2021.
A Mastercard Brasil já atingiu a meta de 50% de mulheres em altos postos e 45% da força de trabalho é feminina. Isso é resultado de políticas estruturadas, como recrutamento inclusivo e oportunidades de carreira igualmente distribuídas. A empresa mantém sistema híbrido de trabalho e horários flexíveis. No programa Empresa Cidadã, oferece 180 dias de licença maternidade.
“Temos ainda um programa de planejamento familiar e reembolsamos tratamentos de fertilidade, incluindo fertilização in vitro”, diz Luciana Cardoso, vice-presidente de RH na Mastercard Brasil.
Como empresa de tecnologia financeira, a Mastercard avança com novas soluções. “Acreditamos que a inovação só pode acontecer em um ambiente diverso, com diferentes perspectivas, influenciando como impactamos o negócio”, afirma a executiva.
Um estudo global da Mastercard, conduzido pela Opinium Research, mostra que 80% das mulheres brasileiras desejam tocar seu próprio negócio, mas 53% ainda não conseguiram dar o primeiro passo. A principal barreira é a financeira – falta de financiamento (37%) e dificuldade de acesso a capital (29%). “Por isso, apoiamos a inclusão digital e o desenvolvimento de soluções de pagamento para pequenos empreendedores, com um olhar especial para as mulheres”, comenta Luciana Cardoso.