Por Sérgio Tauhata — De São Paulo
13/04/2022 05h02 Atualizado há 7 horas
As empresas brasileiras captaram R$ 105,2 bilhões no mercado de capitais doméstico no primeiro trimestre de 2022, informa a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Segundo a entidade, trata-se de um valor recorde dentro da série histórica para um primeiro trimestre.
As emissões de renda fixa foram os destaques, em um ambiente de juros em dois dígitos. As empresas captaram com dívida e outros instrumentos R$ 93,5 bilhões entre janeiro e março. O volume foi 32,2% mais elevado ante o mesmo período de 2021. No caso da renda variável, houve uma forte retração de operações. As emissões de ações somaram R$ 11,7 bilhões em 2022 até março. A cifra representa um recuo de 63,6% frente aos três primeiros meses do ano passado.
“Os juros elevados e a migração dos recursos para renda fixa atrapalham a renda variável”, afirma o vice-presidente da entidade, José Eduardo Laloni. Em termos de instrumentos, o destaque do período ficou com as debêntures. As captações com esse título de dívida atingiram R$ 55,9 bilhões no trimestre, alta anual de 80,6%, segundo a Anbima.
Laloni explica que o movimento de subida de juros ao longo do ano passado “acabou se refletindo no mercado de capitais como um todo”. Para o dirigente, apesar de a Selic ter alcançado dois dígitos, as captações por meio de renda fixa naturalmente prevaleceram no primeiro trimestre de 2022. “Foi um volume recorde para os três primeiros meses do ano.” Laloni destaca ainda que o interesse de emissores e investidores ganha força devido à subida de patamar do mercado secundário de debêntures. “Temos hoje um secundário muito ativo, com muitos intermediários participando da emissão primária e depois vendendo no secundário.”
O volume financeiro do mercado secundário de debêntures girou R$ 62,7 bilhões no primeiro trimestre de 2022. Foi o segundo maior volume trimestral nos últimos dois anos. Na comparação com janeiro a março de 2021, houve uma alta de 58,7%.
Laloni avaliou que, diferentemente de anos anteriores, os dados mostram não ter havido deslocamento da alocação para papéis com prazos mais curtos na renda fixa. “Com o desenvolvimento do mercado de capitais, os investidores passaram a buscar mais ‘yield’ e a diversificar mais o portfólio, com parte da carteira direcionada para prazos mais longos”, disse.
O vice-presidente da Anbima aponta ainda como destaque em 2022 as emissões de notas comerciais. “Essas títulos começaram a ser emitidos em 2021, com um volume de R$ 2,7 bilhões no ano passado, e, apenas no primeiro trimestre deste ano, já estamos com quase R$ 10 bilhões de captação nesse novo instrumento”, diz.
O dirigente vê também menor demanda para captação internacional. “O mercado externo foi fraco. Os primeiros trimestres, tradicionalmente, são janelas de captação externa.” As empresas brasileiras captaram US$ 3,8 bilhões entre janeiro e março de 2022. No mesmo período do ano passado, a cifra atingiu US$ 7,6 bilhões.
Fonte: Valor Econômico