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Duas decisões que ocorrem nos Estados Unidos ainda neste ano, o possível início do ciclo de baixa de juros pelo Federal Reserve (Fed) e as eleições presidenciais americanas, vão condicionar as opções de política econômica do governo Lula ao longo dos próximos meses.
Essa foi uma das questões que permearam os debates realizados ontem no Summit Valor Econômico Brazil-USA. O evento reuniu empresários, autoridades e especialistas brasileiros e norte-americanos em Nova York, no Hotel The Plaza, para discutir os desafios e as principais oportunidades de negócios entre os dois países. A iniciativa marca o início de uma série de atividades para o ciclo dos 25 anos do Valor, a serem completados em maio do ano que vem. Intensificar os debates no plano internacional, com eventos em diferentes países, é uma das frentes que pretende aprofundar o conhecimento sobre a realidade brasileira e perspectivas de negócios.
“Somos uma economia que tem um dos cinco maiores saldos de balança comercial do mundo, uma política monetária comprometida com o combate à inflação, mas ainda assim temos problemas com o câmbio. Temos uma matriz energética limpa, que é de fato um diferencial para o resto do mundo, mas não somos prioridade de investimento, inclusive dos Estados Unidos”, disse o diretor-geral da Editora Globo e do Sistema Globo de Rádio, Frederic Kachar.
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Ele destacou que a economia brasileira tem muitos atributos e diferenciais que podem ser mais valorizados dentro e fora do país. E os oito painéis realizados no evento discutiram como a partir deles é possível fomentar o crescimento sustentável.
Um dos debates mostrou que do lado fiscal, será preciso um esforço também na contenção do gasto, segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, para além das iniciativas que já vem sendo promovidas desde o ano passado para recompor as receitas.
O contexto político poderá se impor como um limite aos esforços de redução de despesas. Esse passo, segundo Durigan, “tem que ser comedido para que não destampe a polarização política no país”.
Na calibragem dos juros básicos, o diretor de política monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, sinalizou maior coesão em torno de uma estratégia comum mais conservadora para lidar com a piora do cenário inflacionário, depois de uma votação dividida no Comitê de Política Monetária (Copom) que levantou desconfianças entre participantes do mercado.
O governo também se vê diante da necessidade de mobilizar recursos para o socorro emergencial do Rio Grande do Sul e reconstruir sua infraestrutura, que foi severamente afetada por fortes chuvas, um evento climático extremo que deve se tornar mais comum. Essa preocupação foi manifestada pela maioria dos participantes do evento, que reforçaram a necessidade de auxílios para o Estado.
“Tem que ser resiliente na reconstrução pensando nessa nova realidade”, disse o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn, que está colocando em pé junto com o governo um pacote de R$ 5,5 bilhões para socorrer o Estado. “Será necessária uma adaptação e trabalho dos países para enfrentar o que está vindo.”
O início do processo de distensão monetária pelo Fed está sendo continuamente adiado, o que, com as crescentes necessidades de financiamento do déficit público pelo Tesouro americano, coloca pressão sobre os juros internacionais e limita a oferta de capitais a economias emergentes.
“Acho que não vai haver corte de juros até dezembro, e considero essa decisão correta”, disse o ex-membro do Fed Kevin Warsh, que tem sido apontado como um dos favoritos para ser o novo chefe da instituição, caso Donald Trump seja eleito para um novo mandato este ano. “Não vejo como o Federal Reserve poderia cortar antes.”
A eleição americana deverá aprofundar a polarização política nos Estados Unidos, com repercussões semelhantes no resto do mundo, e intensificar medidas protecionistas num contexto geopolítico mais dividido.
“O isolacionismo está presente em ambos os partidos”, afirmou Scott Jennings, estrategista do Partido Republicano, referindo-se também ao outro lado, o Partido Democrata do presidente Joe Biden. “Há um movimento de isolacionismo multipartidário.”
O clima de polarização política também impõe desafios para um consenso em torno do equacionamento do déficit público nos Estados Unidos, que se torna necessário com o aumento da sua dívida pública desde a crise financeira de 2008 e a perspectiva de o Fed manter juros mais altos por mais tempo.
Warsh disse que a origem do surto inflacionário nos Estados Unidos está na forte expansão fiscal no governo Biden e, ao mesmo tempo, num erro na condução da política monetária pelo Fed, que considerou que o avanço de preços era apenas temporário. “Quanto maior o problema da inflação, mais regressivo será o imposto para os pobres nos Estados Unidos e em todo o mundo”, disse Warsh. “Os Estados Unidos têm a obrigação de ter políticas fiscal e monetária responsáveis.”
Depois de uma votação dividida na semana passada, Galípolo falou pela primeira vez em público no Summit Valor Econômico Brazil-USA. Ele procurou mostrar unidade numa estratégia de política monetária que, na prática, poderá significar uma menor distensão monetária neste ano do que o antes previsto. “Quero fazer coro com o que o presidente Roberto Campos disse nesta manhã [ontem]”, afirmou Galípolo. “A discussão sobre a persecução da meta é uma discussão interditada para um diretor do Banco Central. Meta não se discute. Meta se persegue.”
Segundo ele, a divergência no encontro do Copom da semana passada se restringiu a uma discussão sobre se o comitê deveria ou não cumprir a sinalização de corte de juros de 0,5 ponto percentual. Novos diretores como ele, argumentou, defenderam cumprir o que foi sinalizado para construir sua credibilidade junto ao mercado. “Cabe aos diretores do BC colocar os juros em patamar restritivo suficiente pelo tempo que for necessário para cumprir a meta”, afirmou. Galípolo disse que chegou a cogitar a queda de 0,25 ponto e que concorda com o argumento técnico da maioria para essa decisão.
O Summit Valor Econômico – Brazil-USA é apresentado por Banco Master, tem o patrocínio master de Gulf e JBS, patrocínio de Gerdau, JHSF, Cedae, Copel e Aegea, além do apoio de Cidade de São Paulo, Governo de São Paulo, Governo do Mato Grosso, Governo do Pará, Governo de Goiás e Invest.Rio. As companhias aéreas oficiais são Latam e Delta Airlines. A realização é do Valor Econômico.
Fonte: Valor Econômico

