Hospital levantou financiamento com BID Invest e Santander, com proteção cambial e prazo de oito anos
Por Beth Koike — De São Paulo
31/03/2023 05h02 Atualizado há 5 horas
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Patricia Leisnock, do Einstein: dívida começa ser paga com o projeto pronto — Foto: Gabriel Reis/Valor
O Hospital Albert Einstein fechou um empréstimo de US$ 100 milhões com o Santander e o BID Invest, braço do Banco Interamericano de Desenvolvimento para investimentos privados. Os recursos serão usados para bancar o novo centro de oncologia previsto para ser inaugurado daqui dois anos.
O novo cancer cancer do Einstein é um complexo formado por hospital, centro de pesquisa e área de reabilitação orçado em R$ 1,2 bilhão dentro do Parque Global, um bairro planejado que está sendo erguido na zona sul de São Paulo. Deste valor, R$ 400 milhões virão do Einstein e a outra fatia da incorporadora do projeto.
Do montante total do empréstimo, US$ 80 milhões estão saindo do Santander e a outra fatia do banco de fomento. A transação, que tem proteção cambial, foi fechada nas condições de mercado de meados do ano passado, quando houve uma janela para operações em moeda americana. “Analisamos várias opções e conseguimos fechar com uma taxa de juros bastante atrativa. Ambos os empréstimos entraram em financiamentos classificados como de impacto social, que têm melhores condições de contratação”, disse Patricia Leisnock, diretora financeira do Hospital Albert Einstein.
Entre essas condições consideradas prioritárias para o Einstein nas negociações com os bancos está o prazo de carência do financiamento, uma vez que o empreendimento está previsto para ser entregue entre meados de 2025 e começo 2026. A linha de crédito tem carência de 36 meses e oito anos para amortização.
Segundo Patricia, o hospital tem caixa de R$ 1,5 bilhão e poderia usar recursos próprios para bancar o complexo oncológico, mas teria que atrasar outros projetos da casa. O último empréstimo feito pelo hospital com instituições financeiras foi de R$ 200 milhões no primeiro ano de pandemia, quando o cenário era incerto e muitos contrataram financiamentos para preservar caixa.
O financiamento de US$ 80 milhões do Santander foi cedido pela operação global do banco espanhol e negociado pela equipe brasileira. “O empréstimo dá mais previsibilidade para o fluxo de caixa futuro. E o novo cancer center do Einstein se enquadra nas nossas metas de apoiar projetos ESG”, disse Sérgio Margutti, responsável pela área de agências multilaterais do Santander Brasil.
Segundo Cristina Simon, chefe de infraestrutura social do BID, a área de saúde é uma das prioridades do banco de fomento. “Temos interesse em apoiar esse projeto do Einstein. São 500 mil novos casos de câncer no Brasil e mais de 1,5 milhão na América Latina por ano”, disse.
Nos últimos cinco anos, o BID já concedeu financiamentos da ordem de R$ 5 bilhões na América Latina e Caribe. Somente em 2022, foram cerca de US$ 650 milhões em projetos como do Hospital Albert Einstein e da Fundação Butantã para produção de vacinas e soro, além de ações na área pública de saúde.
O mercado de tratamento oncológico é o que mais cresce dentro do setor de saúde diante dos números exponenciais de casos de câncer causados pelo envelhecimento da população e novos hábitos de vida. Nos dois últimos anos, grupos como Oncoclínicas, Bradesco Saúde, Fleury, BP, Unimed Nacional, Dasa, Rede D’Or, AC Camargo, entre outros, anunciaram investimentos para construção de complexos nessa área, expansão e aquisição de ativos.
Mas nem todos se enquadram na classificação de cancer center. Em outros países como nos EUA, esse tipo de hospital é aquele que realiza um tratamento de forma conjunta, com oncologistas e médicos de outras especialidades, além de ter um amplo centro de pesquisa e estudos.
Fonte: Valor Econômico