Por Valor — São Paulo
16/12/2022 19h05 Atualizado há 18 horas
A inesperada decisão da China de abandonar sua política de covid-zero e a rapidez com que os governos locais vêm eliminando as restrições à mobilidade pegaram muitos economistas de surpresa. Junto com as consequentes escalada no número de casos de covid-19 em todo o país e perturbações causadas ao sistema de saúde e a uma economia já debilitada, muitos analistas tiveram de rever suas projeções de crescimento em relação à segunda maior economia do mundo para este ano e no próximo. E as revisões são significativas.
O UBS Group e o Australia & New Zealand Banking (ANZ) foram os últimos a ajustar as previsões nesta sexta-feira (16), reduzindo as estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) chinês este ano para 2,7%, citando a escalada de novos casos de covid com o fim dos controles sanitários. Esse número está bem abaixo da meta oficial de crescimento para 2022, que é de 5,5%.
Por outro lado, UBS e ANZ elevaram significativamente suas previsões em relação ao próximo ano, para perto de 5% ou mais, na expectativa de que a atividade econômica e o consumo se recuperem à medida que o número de infecções por covid for diminuindo.
Os dados econômicos mais recentes mostram que a economia da China enfraqueceu mais do que o esperado em novembro, antes que o governo abandonasse abruptamente sua política de covid-zero.
Com a rápida propagação da altamente infecciosa variante ômicron pela China, muitas pessoas estão evitando sair de casa. Escolas voltaram ao ensino a distância e escritórios retomaram o home office.
O UBS agora prevê que o PIB chinês crescerá 2,7% neste ano, de uma estimativa anterior de 3,1%. Mas o crescimento provavelmente se recuperará para 4,9% em 2023, acima da projeção anterior de 4,5%, escreveram economistas do UBS liderados por Wang Tao.
O ANZ cortou sua previsão para este ano de 3% para 2,7%, tendo já elevado a estimativa do próximo ano para 5,4% em novembro.
“As pessoas podem ser muito cautelosas em suas atividades off-line e reduzir voluntariamente seus passeios e reuniões”, disseram economistas do UBS. “Esperamos que a atividade econômica se recupere gradualmente a partir do início de 2023, quando a primeira grande onda de infecção por covid passar.”
Outros grandes bancos, como o Goldman Sachs, também ajustaram nesta semana suas expectativas de crescimento para este ano e o próximo. O Goldman Sachs Group reduziu sua perspectiva de crescimento do PIB chinês em 2022 para 2,6% e aumentou para 5,2% em 2023.
O Standard Chartered Bank prevê uma aceleração do crescimento chinês para 5,8% no próximo ano, enquanto economistas do Citibank projetam que o PIB crescerá 5,3% em 2023. Na terça-feira (13), o Morgan Stanley elevou sua projeção de crescimento para a China de 5% para 5,4% no próximo ano.
Fonte: Valor Econômico