06/07/2023 13h04 Atualizado há 15 horas
A economia dos EUA deu novos sinais de resiliência ontem com aumento das contratações no setor privado, desaceleração das demissões e pedidos de seguro-desemprego relativamente baixos. Além disso, a atividade no setor de serviços aumentou seu ritmo de expansão pelo sexto mês seguido em junho, impulsionado por uma forte demanda de consumo.
No mês passado, as empresas criaram quase meio milhão de empregos nos EUA, o maior número em mais de um ano, segundo dados do ADP Research Institute, em colaboração com o Stanford Digital Economy Lab. Um outro relatório da Challenger, Gray & Christmas mostrou que os cortes de empregos anunciados por companhias nos EUA caíram em junho para mínima de oito meses.
Embora os dados do ADP muitas vezes sejam diferentes do relatório de emprego do governo, que será divulgado hoje, os números seguem consistentes com uma tendência mais ampla de um mercado de trabalho ainda aquecido.
Isso também ficou evidente no relatório mais recente sobre vagas de emprego. Os anúncios de postos de trabalho diminuíram em maio, revertendo grande parte do aumento de abril, uma indicação de que a demanda e a oferta de mão de obra estão se equilibrando. Mas a taxa de pedidos de demissão registrou a maior alta em nove meses, sinal de que trabalhadores ainda se sentem confiantes em conseguir outro emprego.
No conjunto, os dados reforçaram as avaliações de que a economia americana poderá evitar o risco de uma recessão no fim do ano.
“A demanda por novas contratações continua elevada e os empregadores ainda estão segurando os trabalhadores que possuem”, disse Nick Bunker, diretor de pesquisa do Indeed Hiring Lab. “Os dados continuam a apontar para um provável cenário de pouso suave.”
Os preços das ações caíram forte ontem, enquanto os juros dos títulos do Tesouro americano dispararam em reação aos novos sinais de vigor do mercado de trabalho. Esses números podem reforçar ainda mais a tese para o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) retomar seu ciclo de alta do juro, após a pausa de junho, na sequência de 10 aumentos seguidos. A grande questão é se esse forte ritmo de contratações continuará ou se os números representam um último suspiro em meio a outros sinais de esfriamento da economia.
“Esperamos que as folhas de pagamento permaneçam positivas por enquanto”, disse em nota Rubeela Farooqi, economista-chefe para os EUA da High Frequency Economics. “Mas uma desaceleração é provável, pois os efeitos defasados e cumulativos da política monetária se espalham, de forma mais ampla na economia.”
“O mercado de trabalho continua muito aquecido… Com poucas chances de aumento na oferta de mão de obra qualificada, o Fed provavelmente precisará manter sua postura de juros mais altos por mais tempo ao longo do próximo ano para suprimir a demanda por mão de obra e de forma sustentável controlar a inflação”, diz Stuart Paul, da Bloomberg Economics.
Outro relatório mostrou que os pedidos semanais de seguro-desemprego subiram em 12 mil, para 248 mil, segundo o Departamento do Trabalho. Embora tenha superado as previsões, o número ainda está abaixo do pico de junho de 265 mil, o maior desde 2021.
Também ontem, o Instituto para Gestão de Oferta (ISM) reportou nova melhora no setor de serviços nos EUA em junho, com aceleração na atividade, aumento nos novos pedidos e empregos, enquanto as cadeias de suprimentos se fortaleceram e a inflação diminuiu.
O ISM disse que seu índice que acompanha o setor de serviços subiu para 53,9 no mês passado, de 50,3 em maio, superando as previsões dos economistas de uma leitura de 51. O setor se expandiu pelo sexto mês consecutivo em junho, graças à alta demanda sazonal e de novos clientes.
As contratações também aumentaram, com mais empresas conseguindo preencher as vagas em aberto. Mas elas continuam a relatar dificuldades em “encontrar candidatos qualificados para algumas vagas em aberto” e “capazes de preencher algumas vagas que estão abertas há algum tempo”.
Em um grupo que os economistas do Bank of America apelidaram de serviços de “alto contato”, porque envolvem muito contato direto — lazer e hospitalidade, educação e saúde privados e “outros serviços”, que inclui mecânicos de automóveis e lavanderias — havia 3,6 milhões de vagas em maio, contra 2,4 milhões antes da pandemia.
Fonte: Valor Econômico


