Os investidores globais parecem enxergar 2024 como uma continuidade de 2023, em termos de comportamento dos mercados, mas estão errados, afirmou o estrategista-chefe de investimentos do banco de investimentos do UBS, Bhanu Baweja, durante o Latin America Investment Conference (LAIC), primeira edição do evento após a união do Credit Suisse com o UBS.
Segundo o especialista, “muitos investidores acham que 2024 será mais do mesmo em relação ao ano passado, mas é um erro achar que será uma extensão de 2023”.
Conforme o estrategista, o ano passado foi um ano “muito forte” em termos de resultados tanto para renda fixa quanto ações. “Porém estamos em um ‘late cicle’ [fim de ciclo de crescimento econômico].”
De acordo com Baweja, em 2023 houve uma série de fatores pontuais que ajudaram a tornar o cenário mais favorável. “No ano passado, por exemplo, vimos uma melhora na questão das cadeias de suprimentos, o que ajudou muito os mercados ao gerar uma inflação mais fraca”, disse. As pressões de custos também diminuíram devido “à forte queda dos preços de energia”. Com isso, “a inflação foi para baixo e o crescimento para cima”.
Para o estrategista do UBS, “2023 foi um ano excepcional”. O mercado, no entanto, ficou preso à visão de um contexto de lucros mais altos e menor volatilidade, “um goldilocks (inflação cedendo sem um grande recuo da economia) que não vai se repetir neste ano, porque o ‘pai’ do goldilocks foi a queda do preço de energia”.
O especialista do UBS também citou que no ano passado o movimento de enxugamento do balanço pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), conhecido cmo “quantitative tightening” (QT) “foi o mais amigável ao mercado que poderia ter sido”.
“As reservas dos bancos, por exemplo, não só não caíram, como se elevaram em meio trilhão de dólares. Foi o QT mais ‘market friendly’ possível de se imaginar.”
Baweja lembrou ainda que o governo americano injetou liquidez na ecoomia por meio de programas de incentivo. “Tivemos um impulso fiscal muito forte nos EUA, ou seja, foi um ano marcado por preços menores do petróleo, liquidez elevada, impulso fiscal e ainda um efeito de ‘wealth’ [aumento de riqueza] primariamente pelo aumento dos preços de residências”, afirmou.
Sinais de que os investidores olham 2024 como um “template” de 2023, afirmou Baweja, é que as expectativas de crescimento de lucros das empresas nos EUA estão perto de 12% e a Europa entre 6% a 8% neste ano. O UBS tem uma projeção de cerca de metade comparada à média do mercado.
Fonte: Valor Econômico
