Por Valor, com Dow Jones Newswires — Pequim
08/05/2023 09h53 Atualizado há 23 horas
O ministro das Relações Exteriores da China, Qin Gang, disse que seu país e os Estados Unidos precisam estabilizar as relações e culpou Washington pelos problemas de relacionamento entre os dois países devido a “palavras e atos” errôneos.
A fala aconteceu durante encontro em Pequim entre o ministro chinês e o embaixadordosEUA na China, Nicholas Burns. Segundo Qin, a “agenda de diálogo e cooperação” entre os dois países foi “interrompida”.
A fala do ministro chinês faz alusão a recentes tensões com Taiwan, que aumentaram depois que a então presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, visitou a ilha no final de 2022. A situação piorou depois que a presidente de Taiwan, Tsai Ing-Wen, visitou os EUA neste ano.
Em documento com a transcrição da reunião divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores da China, Qin Gang descreveu os EUA como hipócritas por tentarem reforçar os canais de comunicação entre os países enquanto ultrapassa alguns limites que não são aceitos pela China, como Taiwan.
“Não podemos buscar diálogo enquanto a China estiver sendo constantemente reprimida e contida”, disse Qin ao embaixador Nicholas Burns. “Você não pode dizer uma coisa e fazer outra”.
As crescentes hostilidades entre os EUA e a China bloquearam os diálogos entre os líderes dos dois países. As duas partes da disputa dizem que não buscam conflito um com o outro e procuram chegar a um acordo sobre um caminho a seguir para melhorar os laços.
Como os militares dos EUA e da China operam próximos um do outro no Mar da China Meridional e nas águas ao redor de Taiwan, a falta de canais confiáveis para se comunicar em caso de acidentes ou crises surgiu como uma das principais preocupações das autoridades americanas.
“Nossa opinião é que precisamos de melhores canais entre os dois governos e canais mais profundos, e estamos prontos para conversar”, disse Burns.
A China resistiu aos esforços dos EUA para estabelecer linhas diretas para gerenciar crises, segundo o “Wall Street Journal”. As autoridades chinesas veem as linhas diretas como uma forma de dar cobertura aos militares dos EUA para continuar o que consideram operações provocativas próximas da China.
A Embaixada dos EUA em Pequim não fez comentários sobre a reunião.
Qin, que foi promovido a ministro das Relações Exteriores em dezembro após servir como embaixador do país em Washington, culpou os EUA pelas relações turbulentas. A fala do ministro ecoa a retórica recente de outras autoridades chinesas que também criticaram fortemente os EUA.
“Espero que o lado dos EUA reflita profundamente e trabalhe com a China para tirar as relações EUA-China das dificuldades e colocá-las de volta no caminho certo”, disse Qin.
A questão de Taiwan é o assunto mais delicado entre os EUA e a China. Pequim diz que a ilha autogovernada é território chinês.
Embora os EUA não mantenham laços oficiais com o governo de Taiwan, há muito fornecem armas para a defesa da ilha. O recente apoio a Taiwan por políticos americanos levou a China a questionar as intenções dos EUA sobre Taipei. Pequim nunca descartou tomar a ilha.
Mais recentemente, uma reunião na Califórnia entre o presidente da Câmara, Kevin McCarthy, e a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, irritou a China, que em resposta lançou exercícios militares com fogo real perto da ilha.
Os problemas diplomáticos também incluíram a derrubada de um suposto balão de vigilância chinês que sobrevoou os EUA em fevereiro. O incidente levou o secretário de Estado, Antony Blinken, a cancelar uma visita a Pequim que buscava ajudar na estabilização dos laços.
Fonte: Valor Econômico

