Por Victor Rezende, Matheus Prado, Igor Sodré e Gabriel Roca — De São Paulo
07/07/2022 05h03 Atualizado há 4 horas
Enquanto o mercado ainda reprecifica um cenário fiscal ainda mais desafiador no médio e no longo prazo, o dólar continua a se ajustar em alta contra o real. Ontem, a moeda americana chegou a R$ 5,4624 na máxima do dia, mas moderou o ritmo de alta ao longo do pregão, com base em uma melhora para os ativos de risco no exterior. Assim, o dólar encerrou a quarta-feira negociado a R$ 5,4217, em alta de 0,60%.
“As moedas emergentes provavelmente permanecerão sob pressão, enquanto a recessão for o principal fator de risco”, observa o estrategista-chefe para mercados emergentes do Deutsche Bank, Drausio Giacomelli. Para ele, os temores relacionados a uma recessão global ofuscaram os ‘valuations’ relativos e o progresso na normalização dos juros que sustentaram a rotação para ativos de valor (“value”) no primeiro trimestre.
Em nota enviada a clientes, Giacomelli observa, em especial, que o real está entre as moedas emergentes mais sensíveis aos preços das commodities e, assim, continua a se desvalorizar em relação ao dólar, mesmo com um posicionamento técnico mais leve. Assim, em um novo dia de queda forte dos preços do petróleo no mercado internacional, o dólar voltou a subir ante o real e encerrou o pregão no maior nível desde 27 de janeiro.
O estrategista-chefe para América Latina do Mizuho, Luciano Rostagno, acredita que a tendência é o dólar se estabilizar em torno de R$ 5,45 nos próximos dias. Ele, porém, acredita em um aumento da volatilidade no câmbio antes da próxima reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Na visão de Rostagno, “a tendência ao longo do segundo semestre para o dólar é permanecer acima de R$ 5”.
Apesar da pressão no câmbio, houve moderação na alta dos juros futuros em razão do petróleo novamente em queda. A taxa do DI para janeiro de 2025 subiu de 12,825% a 12,91%; e a do DI para janeiro de 2027 passou de 12,76% a 12,86%.
O novo dia de alta dos juros futuros também seguiu o comportamento de alta das taxas globais de longo prazo. Além disso, os agentes continuam atentos às discussões sobre a trajetória das contas públicas no médio e no longo prazo. O mercado espera que a “PEC das Bondades” seja votada pela comissão especial da Câmara hoje, sem alterações em relação ao conteúdo aprovado pelo Senado.
Apesar da alta dos juros de longo prazo, o Ibovespa voltou a subir e encerrou o dia aos 98.719 pontos, com ganho de 0,43%, com apoio de ações descontadas do índice, que deram prosseguimento a uma recuperação vista já na sessão de terça-feira. As ações ordinárias da Via saltaram 13,24%, as da Americanas subiram 11,77% e as da Yduqs avançaram 9,44%.
“O movimento de rotação dá a entender que, no caso de uma recessão global, os bancos centrais não irão precisar subir tanto os juros e a inflação pode recuar mais rapidamente. No entanto, acredito que ainda seja cedo para pensarmos nisso. O segundo semestre com certeza terá muita volatilidade, com a economia europeia se enfraquecendo e a chinesa se recuperando”, diz Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank Brasil.
Fonte: Valor Econômico


