Gestora de ativos exige documentos sobre como o fundo da Centaurus montou sua posição na companhia
Por Rennan Setti
A Latache, gestora de ativos “estressados” de Renato Azevedo, enviou notificação extrajudicial à Oncoclínicas exigindo documentos sobre como o fundo da Centaurus montou sua posição na companhia. A Latache quer saber se a fatia justifica a realização de uma oferta pública de aquisição (OPA) — ou seja, a obrigação de uma oferta de compra pelas ações dos demais investidores, com um prêmio generoso.
A justificativa da Latache é que, após a reorganização feita pelo Goldman Sachs, concluída em novembro, o fundo da gestora Centaurus passou a deter mais de 15% da companhia de tratamento oncológico. Esse é o gatilho para a OPA, segundo cláusula de poison pill — espécie de defesa contra ofertas hostis — do estatuto da empresa.
O Goldman Sachs controlava a companhia até o IPO da Oncoclínicas, realizado em 2021.
“Ao fim da ‘segregação’ (da participação do Goldman Sachs), surgiu, no capital social da Oncoclínicas, a Centaurus, um acionista nunca antes mencionado nas informações divulgadas ao mercado, titular indireto de surpreendentes (…) 16,05% do capital social da companhia. O surgimento do novo acionista causou bastante estranheza (…) porque a companhia divulgou ao mercado, em inúmeras oportunidades anteriores, que os fundos GS integravam o grupo econômico do Goldman Sachs, que, em nenhuma hipótese, se confunde com o grupo do qual a gestora Centaurus faz parte”, diz a notificação, assinada por advogados do escritório Warde, que representa a Latache.
Outras tentativas
A parcela do Goldman Sachs ficou nos fundos Josephina I e II, enquanto a Centaurus surge no fundo Josephina III. A suspeita da Latache é que a gestora se aproveitou da segregação do capital do Goldman Sachs para adquirir participação relevante na companhia sem acionar a poison pill.
“Ainda assim, naquela oportunidade, explicação bastante simplória foi fornecida à coletividade de acionistas e ao mercado em geral: ‘a participação indireta da Centaurus na Companhia era detida através de um veículo de investimento no exterior, gerido discricionariamente por entidade afiliada ao acionista controlador dos Fundos GS, que tomava as decisões de gestão e investimento relativas à participação indireta da Centaurus na Companhia’.”
No mês passado, outros minoritários enviaram notificação à Oncoclínicas sobre a necessidade de OPA, por meio da Associação Brasileira de Investimento, Crédito e Consumo (Abraicc), mas a empresa negou que ela fosse necessária.
Para minoritários como a Latache, que tem 14% da Oncoclínicas, a OPA é uma operação interessante: o estatuto da companhia determina um prêmio de 120% sobre a maior cotação do papel no último ano.
Na notificação, a Latache — que tem o empresário Lucas Kallas, da Cedro Mineração, entre seus investidores — pede uma série de documentos, como a comunicação entre os veículos Josephina e a Oncoclínicas e toda a estrutura societária dos fundos.
Fonte: O Globo