Por Marcelo Beledeli — Porto Alegre
08/12/2023 05h03 Atualizado há uma hora
Desde 1890, a família de Lourenço Caneppele atua na agricultura em uma propriedade nas margens do Rio Taquari, no município de Roca Sales (RS), a cerca de 140 quilômetros de Porto Alegre. Em 133 anos, esses pequenos produtores testemunharam diversas enchentes, mas, segundo relatam, nenhuma delas foi tão drástica quanto a cheia causada pelo ciclone que atingiu o Rio Grande do Sul entre os dias 4 e 5 de setembro deste ano.
Na ocasião, pela primeira vez, o rio transbordou a ponto de alcançar as casas onde moravam Lourenço, sua esposa, dois filhos e seus pais, assim como os galpões para máquinas e animais. “Tivemos que nos refugiar no sótão da casa, porque a água chegou no segundo piso”, lembra.
Perdas como as da família Caneppele multiplicaram-se no Sul do país neste ano. Segundo levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que o Valor obteve com exclusividade, os desastres climáticos causaram prejuízos de R$ 28,2 bilhões ao agronegócio da região em 2023. Entraram na conta da entidade as perdas com a seca no início do ano e com as chuvas dos últimos meses.
No Rio Grande do Sul, os prejuízos já chegam a R$ 18,1 bilhões. O Estado, o mais castigado pelos extremos climáticos, sofreu no início de setembro com a passagem de um ciclone, que causou cheias especialmente no Vale do Rio Taquari e levou à morte de mais de 50 pessoas.
Fonte: Valor Econômico


